Apresentação

Nesta primeira década do século XXI, com o avanço da globalização e da mundialização da economia capitalista, o mundo vive uma nova era a partir de um novo modelo de desenvolvimento denominado Técnico-Cientíico (PTE) de uma economia cada vez mais informacional considerada de “economia da informação”. Nesta nova sociedade do conhecimento e do aprendizado, assumem papel central a comunicação e a informação. A velocidade com que as pessoas se comunicam em escala global perpassa pela perspectiva da inovação tecnológica a serviço da revolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em que o capital contemporâneo, cognitivo e financeirizado se articula para a estruturação de redes globais de investimento e poder, alterando a percepção humana do espaço-tempo (Schmazrtz, 2010).

Os indivíduos estão envolvidos e participam para além das relações políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais. Como agentes de “campos” diversos e dotados de interesses fazem escolhas, ora tutelados pela manipulação midiática, ora mediados e em função do volume e qualidade das informações a que têm acesso, possibilitando transformá-las em conhecimento para reprodução das relações de poder. Assim, “o direito à comunicação é o fundamento de uma sociedade do conhecimento” (…)  A dimensão atingida pela digitalização a partir da difusão de “mobilidade” promovida pela telefonia celular atinge o cerne da intimidade (…) os meios de comunicação sempre são extensão do próprio corpo humano (idem).Neste contexto de paradoxo do global local, argumenta Schmazrtz que:“O tema do desenvolvimento local, assim como o da focalização das políticas sociais, surgiu com força a partir dos anos 1990, sobretudo nos organismos multilaterais. Para parte da crítica à esquerda, essa atualização do pensamento sobre o desenvolvimento acabou misturada á torrente do pensamento único neoliberal transformado em doutrina pelo Banco Mundial” (Schmazrtz: 2010: 70).A nova teoria do desenvolvimento busca desmistificar a panacéia imposta pela questão ambiental com a Rio 92, para uma perspectiva endógena dotada de uma historicidade e culturalidade local defendida por Barquero, no qual o desenvolvimento seja encarado como liberdade tal como Amartya SEN recentemente nos apresenta.

Barquero com seu efeito H nos indica a possibilidade de sistemas produtivos inovativos locais (SISPIL), cuja metodologia já consagrada dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) seja a nova chave para a compreensão e prática do ideário do desenvolvimento sustentável e endógeno em escala local/regional/global, respeitando as diferenças entre distritos industriais, clusters, polos, parques tecnológicos etc.

Diante do exposto, propõe-se a identificação da cultura de uso dos meios de comunicação como critério central e meio estratégico de inserção produtiva e de poder na sociedade e nos mercados locais e globais. Trata-se avaliar, estimular e coordenar incubando-os ou favorecendo as condições de desenvolvimento inclusive financeiro o que se passou a chamar de Arranjos Comunicativos Locais (ACLs) para uma emancipação digital e cidadã.

Como afirmava Poulantzas, uma formação social, para se reproduzir, deve constantemente criar “lugares” (posições relacionais) e “agentes” prontos a assumir os seus “lugares” (Poulantzas, 1978). Uma vez que o atual estágio do modo de produção capitalista é baseado em uma “lógica cultural”, em que a dinâmica da produção de valor vigente é atravessada por aspectos simbólicos e imateriais, os meios de comunicação atuam de forma determinante na construção desses “lugares” e “agentes” (idem).

Na ótica da emancipação, o objetivo estratégico é a apropriação de mídias pelo maior número possível de atores, setores e vetores, tendo em vista a criação e a metagestão do conhecimento que se produz ao longo e como energia fundamental desse processo de desenvolvimento. “A distribuição de vozes contribui para a distribuição de renda” (idem)

Entre outros desafios para a evolução de um sistema socioeconômico localmente sustentável, no sentido emancipatório, está o de conseguir apropriar-se dos meios de produção do conhecimento. Aqui se denomina essa forma de desenvolvimento “arranjos comunicativos locais”, complementando um conceito mais antigo e que já se consagrou como política pública, o dos “arranjos produtivos locais” (idem).

Por fim, onde a comunicação não tem qualidade e falta liberdade, a negação de interesses degenera em vale-tudo (idem). Espera-se com esforço articular capital intelectual necessário aos desafios de implementar um projeto de comunicação frente ao atual momento do desenvolvimento miriense.

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