JOGO PESADO PARA BARRAR A CPI DO “LIXO DO MILHÃO”

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Se dizem que a política tá um lixo é mero discurso.

Mas tá difícil avançar com a CPI que foi instaurada na Câmara Municipal de Igarapé-Miri.

A base do governo no Legislativo parece se consolidar com 10 vereadores ao lado de Pesado. Apenas 5 assumiram apoio à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar denúncias da contratação de uma empresa por mais de um milhão de reais para coletar lixo em apenas 3 meses.

É justamente o número mínimo para que avancem as investigações.

Mas, para surpresa geral da nação, logo no dia seguinte ao recebimento do Pedido na Câmara, o vereador João do Carmo (PT) apresentou um estranho requerimento de “desistência“.

Queria retirar seu nome do rol. Forças estranhas se mexeram naquela noite (um tal de foro íntimo) do dia 22 de março até a manhã de 23 de março de 2017. Eis o pedido que aportou na Mesa do Presidente:

RETIRADA CARMO DA CPI DO LIXO

No dicionário encontramos a definição de “foro íntimo” nos seguintes termos: A cidade de Roma teve uma fase de desenvolvimento em que as praças localizadas fora da zona mais antiga foram integradas na zona urbana. Cada uma dessas praças tinha o nome latino de forum [fórum].  Nessas praças, realizavam-se os mercados e tinham lugar os julgamentos públicos. Os habitantes da cidade acorriam a essas praças para apreciarem as argumentações dos oradores intervenientes. A palavra latina forum deu lugar à palavra foro, que se usa em relação à justiça e aos tribunais. Também se usa a forma divergente fórum, que evoluiu por via erudita. Na sequencia da utilização da palavra foro, surgiu a expressão foro íntimo, que significa «julgamento da consciência acerca de coisas morais» e «a própria consciência» (cf. Dicionário Houaiss).

Trocando em miúdos, o vereador João do Carmo dormiu mal naquela noite e com a consciência pesada, teria mudado de ideia sobre a CPI.

Mas esqueceu que já era tarde, pois o arrependimento só poderia ocorrer até antes do protocolo do pedido e não depois da formalização perante a Mesa Diretora e em Plenário, caso contrário qualquer CPI poderia acabar a qualquer tempo, bastando seus membros se sentirem com a consciência pesada e pedirem retirada de assinaturas.

Mas logo a bancada de apoio a Pesado se animou e pediu a Ney Pantoja que arquivasse a CPI diante da desistência do vereador Carmo. Vejam:

PEDIDO ARQUIVAMENTO CPI DO PESADO

E já se ameaçava ida para a Justiça para barrar a CPI, caso o pedido não fosse aceito.

A batata quente ficou na mão de Ney Pantoja, que apesar de ter votado contra a CPI também não faz força para garantir Pesado no governo, pois certamente que em caso de cassação, pode cair no colo do filho da Carmosina o tão almejado Palacete Senador Garcia.

Foi então que o “foro íntimo” do vereador pesou novamente. E após reflexões e reuniões com o partido dos trabalhadores, o vereador João do Carmo desistiu da desistência no dia 06 de abril:

PEDIDO RECONSIDERAÇAO CARMO PARA CPI

E este é apenas o início de uma saga.

Certamente que o grupo de Pesado vai tentar adiar sessões, faltar em votações, não comparecerá em reuniões e tantas outras barrigadas para empurrar o problema adiante.

Pergunta que não quer calar: QUANTO PESADO GASTOU COM A TAL EMPRESA DE COLETA DE LIXO ?

Até agora nada se sabe. O portal da transparência não tem uma despesa sequer do ano de 2017. Tudo igual ao período em que Pesado governou os primeiros 6 meses de 2015 e lhe rendeu ações na Justiça e inquéritos na Polícia Federal e no MPF.

Mas hoje o Município não tem sequer um Promotor de Justiça titular que pelo menos escute as denúncias.

Resta somente à Câmara Municipal apurar as acusações de desvios de recursos públicos.

Mas nesse ritmo tá difícil…

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