A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO E O MITO DO SEBASTIANISMO

Antonio Marcos Quaresma Ferreira¹

Dia 20 de janeiro é data atribuída à memória de São Sebastião. Um soldado romano que embora fazendo parte do grande escalão da Guarda Pretoriana, mantinha em silêncio sua fervorosa fé cristã. Porém quando o conflito moral ficou acirrado em sua vida, o soldado prefere tornar pública sua crença e enfrentar o martírio determinado por Deocleciano, imperador romano na época.
No município de Igarapé-Miri duas importantes manifestações foram erguidas ao longo da história. Uma pelas famílias Borges e Gonçalves na localidade de Boa- União há mais de dois séculos e que se perpetuou até 2010 como atividade integrada à comunidade católica local. Ocorre que com o desmembramento entre a comunidade cristã e o recém- criado IBUAM (Instituto Boa União da Amazônia), coube a esta entidade manter a devoção Sebastiana agora em um evento institucional denominado Semana Cultural do IBUAM.
A outra manifestação em louvor a São Sebastião remonta o ano de 1925 em Vila Maiauatá, ano em que o “velho” Sebastião Pantoja teria iniciado tal festividade, a qual após o seu falecimento teve continuidade sob a coordenação de Anilo Martins Cardoso, sendo mais tarde transferida para Comunidade Cristã de Nossa Senhora de Nazaré.
A Festa de São Sebastião em Vila Maiauatá transformou-se em um dos principais eventos do município, criando-se inclusive em paralelo uma festa secular chamada de “Festa do Sujo” onde os brincantes em tom carnavalesco pintam seus corpos com bisnaga e maizena numa sensação que se julga ser de liberdade e de amizade.
Há ainda outro Sebastião que aqui merece ser lembrado, o Sebastião de Portugal (Dom Sebastião), desaparecido na batalha de Alcácer Quibes, mas que pelo fato de seu corpo nunca ter sido encontrado, muitos portugueses ficaram a aguardar pela sua volta, recusando a aceitar a ideia de que o mesmo teria sido morto em combate. Dizem que muitos portugueses até hoje aguardam pela sua volta. Seria ele o “salvador da pátria” cujo legado fora transmitido ao povo brasileiro?
Enfim que São Sebastião é exemplo que autenticidade e coragem a ser seguido isso não há dúvida. Sua invejável bravura serve como espelho, sobretudo para aqueles que pensam em se acovardar diante das situações de adversidades.
Quanto ao outro Sebastião (o de Portugal) embora não se possa impedir a atitude saudosista de quem o considerava um “rei bom” ainda assim, não se pode substituir as luta coletiva a pretexto da espera de um salvador da pátria.
Entendo que abertura política que tivemos após o processo de redemocratização deve ser cada vez mais aperfeiçoada, sendo necessário o fortalecimento das entidades e movimentos que lutam pela justiça e pelos direitos sociais.
É visível que na atualidade estamos vivendo um período de crise em todos os setores da política, sendo essa crise ambiente fértil para os aproveitadores e usurpadores do poder. Precisamos, no entanto promover a resistência, e isso só se faz com a mobilização e conscientização da sociedade civil organizada. Vamos em frente!

¹Graduado em Filosofia (Bacharelado e Licenciatura Plena) pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Pós-graduado em Educação, Diversidade e Inclusão Social pela Universidade Católica Dom Bosco (MT). Professor da Rede Estadual de Educação – SEDUC/PA. Coordenador do Núcleo de Cultura e Educação Popular do Instituto Caboclo da Amazônia. Vice-presidente da Academia Igarapémiriense de letras cadeira nº 01- patrono Manoel Alexandrino Correa Machado.

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