QUEM GANHOU O DEBATE ?

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O debate entre os candidatos a prefeito da Terra do Açaí em 2016 foi cheio de fortes emoções.

As perguntas, respostas, réplicas e tréplicas entre os candidatos demonstrou que apensar da necessária cordialidade, existem grandes diferenças entre as candidaturas neste pleito.

Novamente a Barraca de Sant’Ana foi o palco do evento e do lado de fora milhares de pessoas acompanharam atentamente. Na internet bombaram acessos e na rádio, aqueles que não puderam ir ao local, ficaram de ouvidos ligados.

E quem ganhou o debate ?

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Se perguntarem a apoiadores dos 3 candidatos a resposta será e mesma: foi o meu candidato.

Mas quem ganha sempre com o debate é o povo, pois pode conhecer melhor aqueles que disputam o pleito e assim votar com mais convicção.

A cada ano que passa os políticos tem merecido menos crédito. A maioria dos eleitores tem votado pela obrigação, por algum favor ou por promessas, e cada vez menos por acreditar de fato que a classe política possa se renovar a cada mandato.

Os temas mais importantes do debate foram os seguinte:

ALIANÇAS POLÍTICAS DE CADA GRUPO

Muitos políticos que estavam em grupos adversários em 2012 mudaram de lado. Qual o motivo ? Por diversos questionamentos e respostas se viu uma preocupação dos candidatos em focar nesse tema. Seja para culpar os adversários por erros, seja para justificar os próprios.

SAÚDE PÚBLICA

A saúde foi um dos principais temas. Os motivos da não conclusão da UPA, dos postos de saúde, da falta de medicamentos e atendimentos médicos.

Todos prometem que vão melhorar. Pesado disse que cuidou da saúde com responsabilidade, mas o até o Conselho de Saúde rejeitou suas contas de 5 meses e tem como aliados Francisco Pantoja e Carmosina, que podem continuar a comandar a pasta. Joca quer uma oportunidade, mas em seu grupo tem Ïtalo Macola e Dilza, dois que já comandaram a saúde em outros períodos, mesmo que indiretamente. E Jucelino diz que é vai fazer a diferença, mas tem o apoio de Roberto Pina, que foi quem nomeou Francisco e Carmosina para a saúde, hoje também na roda de criticados.

SEGURANÇA PÚBLICA

Tema recorrente em todos os debates e nas ruas é a violência de cada dia. O que pode ser feito pelo Prefeito, que não manda na Polícia, apenas é obrigado a pagar despesas da PM e Civil ?

O debate sobre este tema ainda é carente. A guarda municipal, o monitoramento por câmeras precisam ser implantados, mas também custam dinheiro. De onde virão esses recursos ?

Os candidatos ainda carecem de conhecimentos sobre dados da administração. Falam sem saber como funciona a administração pública e jogam para a plateia. Será que sabem quanto é o orçamento anual do município, o que de fato sobra para investir e custear o funcionamento dos serviços essenciais ?

QUEM TEVE OPORTUNIDADE DE FAZER E NÃO FEZ

Rodavam as perguntas e as acusações de que o adversário podia fazer e não fez voltavam. Bom, mas apenas Pesado foi prefeito interino, daí sofreu mais pra responder. Joca foi vice, mas alegou que não mandava nada. Padre Jucelino nunca foi gestor, mas foi acusado pelo atos de gestão de Roberto Pina, já que ganhou seu apoio.

PROCESSOS NA JUSTIÇA E CORRUPÇÃO

As condenações, processos e inquéritos também entraram na roda. Pesado, que já foi condenado pela Justiça Eleitoral, tem 3 inquéritos na PF e outros tantas açõs nas costas, e assim foi o mais apertado para responder. Mas também atacou, lembrando que teria denunciado Roberto Pina na Polícia Federal e pedido investigações para combater a corrupção. Como Joca e Jucelino não tem processos, aproveitaram a onda para sambar na frente do adversário.

PROPOSTAS PARA A CIDADE

Em diversos momentos os candidatos esqueceram um pouco os ataques e aproveitaram para dizer o que pretendem fazer. As promessas de sempre em alguns casos, mas é o que mais importa ao eleitor.

O eleitor tem que saber o que vai mudar com a posse do eleito. E se vai mudar pra melhor ou pra pior.

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Prometer é fácil, difícil é cumprir. Hoje a maioria dos municípios do Pará estão com salários atrasados, com dívidas milionárias coma previdência e com fornecedores. Existe risco de que o fim do ano seja triste para os servidores, que podem nem receber os salários.

Igarapé-Miri sobrevive em grande maioria de recurso federais e do ICMS. Nossa arrecadação própria ainda é pouca. Houve um esforço desta última gestão Pina para alavancar a arrecadação de tributos, foi criada a Taxa do Açaí que deverá valer em 2017, diversas ações judiciais de cobrança, ressarcimento e de execução fiscal começaram a ser ajuizadas.

A assessoria jurídica busca mais de 25 milhões de reais em ações judiciais. Uma delas de mais de 7,5 milhões já tramita na Justiça Federal contra a União, decorrente de anulação de uma cobrança irregular na gestão Mário Leão e Dilza.

Outra contra o Basa depende somente de ordem judicial para pagamento, no valor de quase 600 mil reais e seria suficiente para custear a conclusão da UPA (licitação pendente de menos de 320 mil) e ajudar a pagar a folha dos servidores neste final de ano.

A ação contra a empresa SUPLEGRAF vale quase 1,6 milhão e se aguarda uma decisão judicial após parecer do Ministério Público em Igarapé-Miri.

Uma ação de ressarcimento tramita em Belém contra os herdeiros de Miguel Pantoja e tem valor de mais de 5 milhões de reais, decorrente de condenação do FNDE, que só tirou o nome da Prefeitura do CAUC por essa pendência após a cobrança na Justiça. Vejam relatório da cobrança:

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Mas as dívidas são volumosas. Só para o INSS os valores são superiores a 30 milhões de reais. Precatórios mais 1,8 milhão. Servidores ainda cobram dívidas do final da gestão Dilza e até do Mario Leão, que dependem de decisão na Justiça. Parcelamentos junto a IASPEP e IGEPREV ainda devem durar um bom tempo para quitação.

Alguns fornecedores cobram calotes da gestão Pé de Boto e Pesado e a condenação pode gerar obrigação da Prefeitura em quitar esses débitos, como é o caso da MM LOBATO.

E o CAUC do município continua com inadimplências, mesmo que tenha sido possível retirar algumas pendências. Veja abaixo que temos hoje 8 pendências:

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Diversas dessas pendências para serem retiradas vão depender de mais ações judiciais contra ex-prefeitos ou ex-secretários que deixaram inadimplências. E até mesmo contra o Governo Federal caso se negue a liberar o CAUC quando for possível parcelar os débitos com a previdência, o que se espera que ocorra a partir de 2017.

Muitas problemas pela frente, com certeza. Mas nada vai nos tirar a esperança de que possamos ter uma Terra do Açaí melhor, que tenha eleitores sérios, gestores responsáveis, honestos e combatam a corrupção.

Bom, pelo menos essa foi a promessa de todos eles no debate eleitoral…

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