FALSO PATUÁ: 2 ANOS DA OPERAÇÃO. O QUE MUDOU NA TERRA DO AÇAÍ ?

DIARIO DO PARA 17 SET PRISAO PÉ DE BOTO

No dia 16 de setembro de 2014 a Terra do Açaí tremeu. Foi abalada pela maior operação policial já vista em toda a história de Igarapé-Miri.

OPERACAO DA PC PMIG 03

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O principal alvo foi o ex-prefeito Pé de Boto, acusado de homicídios e de fraudes em processos licitatórios para desvio de dinheiro da Prefeitura Municipal.

Pé de Boto (DEM) foi eleito em 2012 numa ampla coligação. Dizia que tinha acabado com o PT e Roberto Pina, passando a implantar a “cidade da paz”.

cidade-da-paz

Nomeou parentes para quase todas as secretarias. A esposa foi secretária de assistência. O filho titular do planejamento, o compadre secretário de obras, a irmã tinha cargo na saúde e assim por diante.

O Procurador Nelson Medrado atribuiu a Pé de Boto o comando de um grupo de extermínio, que teria surgido logo após a eleição de 2012 e avançado durante os anos de 2013 e 2014. Até uma CPI foi instaurada na Assembléia Legislativa.

A Câmara Municipal seguiu calada e submissa ao ex-prefeito, com poucas resistência de apenas 3 vereadores. Os demais calados ficaram e somente levantaram de suas cadeiras para ir ao Jornal O LIBERAL defender o Pé de Boto contra o Procurador Nelson Medrado.

Nem os apelos da população em diversas greves, audiências e passeatas conseguiu fazer a Câmara instalar qualquer investigação. São os mesmo que agora se lançam candidatos nesta eleição.

CONVITE AUDIENCIA PUBLICA SEG MIRICARAVANA MIRI PAZ 04

A prisão de Pé de Boto ganhou o cenário nacional e também teve influência na eleição ao governo do estado em 2014.

O Grupo RBA acusou o governador Jatene, então candidato, de ter Pé de Boto como coordenador de sua campanha no Baixo Tocantins.

JATENE NO MIRI AGOSTO 14 O2

Mas a prisão de Pé de Boto e dos demais, que foi decretada pelo Desembargador Rômulo Nunes, era por apenas 30 dias e foi revogada logo depois do primeiro turno.

jatene e helder

Helder e Jatene ficaram na disputa, mas a acusação da aliança Boto/Jatene continuou a ser divulgada nas páginas do jornal dos Barbalho.

Pé de Boto voltou ao cargo de Prefeito, fez festa pela cidade com seus vereadores e aliados e pensou que estaria tudo resolvido.

VOLTA DO PE DE BOTO 02DIARIO DO PARA 7 OUTUBRO E VOLTA DE PE DE BOTO

No dia 9 de outubro de 2014 o TRE cassou seu mandato de prefeito e o vice também foi junto. A Justiça determinou que novas eleições deveriam ocorrer em Igarapé-Miri. Pé de Boto ainda conseguiu suspender a decisão do TRE, mas foi por pouco tempo.

MURUTINGA E PESADO E NENCA

Nenca (PMDB) assumiu, mas ambicionou se manter no cargo de Prefeito. Articulou antecipação das eleições da Câmara e passou o cargo para o vereador Rufino Leão (PSC).

Nenca ganhou as eleições antecipadas. Mas a Justiça anulou e mandou fazer outra na data certa. O grupo encabeçado por Toninho Pesado (PMDB) venceu a nova disputa, desta feita contra Rufino, que deixou o cargo para a Pastora Dalva (PTB). E por apenas um voto de diferença Toninho Pesado virou prefeito interino de janeiro a junho de 2015.

Roberto Pina (PT) ganhou as eleições suplementares, concorrendo contra Pesado, Darlene e Joca.

DIARIO DO PARA 17 SET BOTO PRESO

Após 2 anos da Operação Falso Patuá já ocorreu a prisão e soltura de vários dos envolvidos por conta da denúncia de homicídios por grupo de extermínio.

O Ministério Público até hoje não fez a denúncia por desvios de recurso públicos na gestão Pé de Boto e nem contra as empresas e pessoas supostamente beneficiadas. Mas o Procurador Nelson Medrado e o GAECO fizeram divesas buscas e apreensões em empresas, uma delas ligada ao vereador Nenca. Do mesmo modo pediu quebra de sigilos dos envolvidos. Teve autorização para grampos telefônicos que revelaram a ligação de políticos, empresários e diversos funcionários com os desvios de dinheiro público denunciados.

Até hoje também não se sabe do tamanho do rombo que o Procurador diz ter ocorrido.

Na política algumas coisas mudaram. Pé de Boto apoiou Toninho Pesado na suplementar de 2015 e ao que tudo indica, boa parte de seu grupo ainda está mantendo essa mesma posição, mesmo que alguns tenham ido para o grupo de Joca Pantoja, como Ïtalo e Dilza.

FOTO PE DE BOTO COM ITALO MACOLA NA FRENTE DA PMIGM

A Operação Falso Patuá revelou muitos fatos e ainda não foi concluída, pois o processos continuam em andamento. Não se sabe quantos anos mais vai durar para que se tenha uma decisão sobre as denúncias, muito menos se alguém vai ser condenado a devolver dinheiro público do município.

Vejam a primeira matéria divulgada pelo MP sobre a OPERAÇÃO FALSO PATUÁ em 2014:

IGARAPÉ-MIRI: Acusado de homicídios e desvio de verbas, prefeito é preso pela Operação Falso Patuá

Investigações do Grupo de atuação especial de combate às organizações criminosos (Gaeco) do MPPA e dos órgãos de segurança apontam que o prefeito criou grupo de extermínio (13 homicídios), criou empresas de fachada e esquema fraudulento em procedimentos licitatórios para enriquecimento pessoal. Ele atentou contra o regime democrático de direito, contra a vida de pessoas e as liberdades individuais. Implantou um clima de terror na cidade e violou todos os princípios da administração pública, disse o procurador Nelson Medrado. Medrado argumenta ainda que nesses 30 dias no período da prisão o caminho mais rápido para se resolver é o processo de cassação. E já. Mas, segundo uma fonte na região,os 13 vereadores que compõem a câmara municipal estariam também reféns do prefeito e ameaçados de morte. OPERAÇAO Operação conjunta do Gaeco/MPPA e da PC, intitulada Falso Patuá, na terça (16) em Igarapé Miri, nordeste paraense efetuou as prisões do prefeito Ailson Santa Maria do Amaral (DEM), do secretário de obras, Ruzol Gonçalves e seus dois filhos Rafael e Renato Gonçalves e de 6 policiais militares (cabos e soldados). MANDADOS – A operação cumpriu 10 dos 12 mandados de prisão e de busca e apreensão de documentos expedidos pelos desembargadores Rômulo Nunes e Vânia Lúcia da Silveira do TJ/PA. Dois policiais ainda estão foragidos. A busca e apreensão foram efetivadas na sede da prefeitura, secretarias e quatro (4) empresas comerciais na região. Uma dessas empresas foi aberta pelo prefeito Ailson Amaral em nome do seu motorista particular. As outras empresas pertencem aos filhos do secretário de obras. A operação coordenada pelo Gaeco, tendo à frente o promotor de Justiça Milton Lobo Menezes, acompanhado do procurador Nelson Pereira Medrado, e os promotores Harisson Bezerra e Wilson Brandão, agentes do Gaeco e delegados da PC, Marcos Miléo e Sílvio Maués, acompanhados do delegado-geral da PC Rilmar Firmino. Leia a entrevista com PJ Milton Menezes sobre a operação deflagrada pelo MPPA e PC em Igarapé Miri, nordeste paraense. Assessoria de Imprensa: O prefeito criou mesmo um grupo de extermínio? PJ Milton Menezes: É o prefeito estava sendo investigado neste sentido de comandar, na verdade, uma organização criminosa voltada a um grupo de extermínio, além dos crimes contra a administração pública como fraude de licitação e outros crimes de improbidade administrativa. AI: O prefeito fica somente 30 dias preso? PJ MM: Sim, por que como estamos em investigação, a prisão temporária é para que ele não atrapalhe a investigação. Se durante esse período de 30 dias, se conseguirem elementos de provas suficientes para fazer com que seja decretada a prisão preventiva dele, vai ser requerida a prisão preventiva. AI: Já dá para avaliar o rombo que ele deixou? PJ MM: É difícil saber. O Tribunal de Contas vai ter que fazer uma auditoria realmente em profundidade. AI: E sobre as pessoas que ele teria mandado exterminar? PJ MM: Também agora a gente espera que apareça mais, por que se tem entre 12 a 13 homicídios que imputam a esse grupo de extermínio. Agora com a prisão dele pode ser que apareçam outras pessoas relatando fatos semelhantes. AI: E o vice-prefeito assume? PJ MM: Isso o prefeito assume, pela ordem de vocação constitucional ele assume. AI: O Ministério Público pretende fazer ainda mais investigações? PJ MM: Sim. Com a análise dessa documentação apreendida e a oitiva de outras testemunhas que, por ventura, possam prestar depoimentos, pode-se aprofundar ainda mais a investigação. Veja mais fotos da ação e da coletiva de imprensa AQUI. Texto: Edson Gillet, Assessor de Imprensa

Fotos ação: PJ de Igarapé-Miri

Fotos coletiva: Fernanda Palheta

 

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Um comentário sobre “FALSO PATUÁ: 2 ANOS DA OPERAÇÃO. O QUE MUDOU NA TERRA DO AÇAÍ ?

  1. Espero que esses bandidos paguem por todos os crimes cometidos e que Igarapé Miri nunca mais passe por isso.
    Sabia que esse governo seria péssimo quando ganhou as eleições, mas superaram como uma folga absurda minhas espectativas negativas.
    Nas próximas eleições votemos com consciência, com convicção de que será o melhor pra maioria.

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