GOVERNOS EM DESALINHO

Em mais artigo sobre política, o professor J. Santiago faz uma análise da conjuntura nacional com enfoque na realidade da política da Terra do Açaí.

Vale conferir:

No último artigo que escrevi para o Gazeta Miriense, chamado de Análise Filosófica da Política Miriense, falávamos de que sempre estamos na contra mão da política Estadual e Federal. Como se previa, a Presidente Dilma Rousseff acabou mesmo sendo afastada por 180 dias do cargo que exercia, com isso, surgiu a oportunidade da instalação de um novo governo agora sob as égides do PMDB com o Vice-Presidente Michel Temer, esse novo governo vai ter que se instalar e fazer acertos políticos para poder realmente iniciar seus trabalhos e como sabemos isso leva tempo.

Nada disso seria ruim se cada unidade da Federação, falo aqui dos municípios, fosse independente e tivesse a sua própria autonomia para angariar recursos suficientes para tocar a vida sem depender de ninguém, mas o que temos como política monetária no Brasil é um cone invertido dividido em três partes onde o vértice está para baixo e a base para cima, quando deveria ser ao contrário o vértice para cima e a base para baixo, porque são os municípios que abrigam verdadeiramente as pessoas e onde, deveriam se concentrar a maior parte dos recursos públicos e que este, pudesse atender as necessidades da população para os quais eles são arrecadados.

Entretanto, como a nossa distribuição de renda é uma pouca vergonha, a maior parte vai para o Governo Federal, a segunda maior parte para os Estados e a última e menor parte é distribuída pelos municípios que no Brasil, alcançam mais de 5.700 unidades. Mas como mudar a atual situação? Ainda não é possível por faltar aos nossos representantes “vergonha na cara”, por isso continuaremos com o cone ao contrário, ou seja, com a sua base para cima. Esse é o principal motivo para que o povo miriense parasse para pensar e, tentasse encontrar uma solução para o problema de representatividade que nos atinge já há alguns anos.

Como a política local é voltada para o “se me dão”, ainda teremos muita água pela frente até descobrirmos um porto seguro que nos dê a devida proteção contra as tormentas, ventos fortes e ondas altas, que nos tem atingindo na última década. É improvável que isso venha acontecer, pois o nosso povo em sua maioria é analfabeto político, em muitos casos analfabetos funcionais, sem a menor condição de analisar a política em todo o seu conteúdo e extensão, pois só olha o nosso município e não consegue vislumbrar os interesses dos políticos do Estado e da Nação. Se não compreendemos esse movimento, é muito difícil que encontremos o rumo certo e estaremos fadados a continuar a receber migalhas.

Nosso governo local é do PT, o do Estado PSDB e agora o Central é PMDB, como podemos ver, três siglas diferentes onde cada uma tem seu próprio interesse em todo o processo político que se desenhou com o Impedimento da Presidente Dilma. Se não, vejamos! Até trinta e um de dezembro deste ano em nosso município o governo será do PT, o do Estado continuará PSDB, e o central será ou não PMDB, porque ainda resta uma esperança de que a Presidente seja indultada, mas isso é apenas uma esperança, já que, alguns setores do PT já afirmam que Dilma não voltará mais ao poder. Com isso quebrando o alinhamento que o município tinha com o governo central.

Caso Dilma volte ao poder outra vez teremos a conexão com o governo central, porém caso o seu afastamento venha a ser definitivo teremos um desalinhamento completo para o nosso município pelo menos até trinta e um de dezembro deste ano.

No setor do estadual o município vem há anos sofrendo de falta de representação, o que tem provocado enormes desperdícios a nossa população, mas ninguém para pra pensar em uma mudança no andar da carruagem, parece-me que todos estão satisfeitos com o paradigma atual, pois nada e ninguém pensa que a falta de um representante na Assembleia, é um dos maiores entraves que temos para o nosso desenvolvimento. Um município que não possui representatividade fica totalmente entregue às baratas sem nenhuma voz que clame pelas suas necessidades. Igarapé-Miri até hoje se ressente dessa representatividade.

Sabemos que os partidos políticos estão sempre em pé de guerra pelo poder e que se puder impedir o trabalho do outro não titubeia em fazê-lo, continuamos numa queda de braço que até agora não levou-nos a lugar nenhum, continuamos brigando entre nós e sem eleger o representante que precisamos. Estamos chegando a outra eleição e não vejo o interesse de nenhum movimento sobre escolher a nossa representatividade na área estadual. Até o momento só se pensa em prefeito e vereadores. Isso é bom, é, mas também existe a necessidade de se fazer um Deputado estadual para defender nessa esfera os nossos interesses. Sem falar que também precisamos de um na esfera Federal que também contribua para o nosso desenvolvimento.

As eleições de Outubro que se aproximam, seria a oportunidade de se repensar o modelo político que estamos realizando ao longo de todos esses anos e que, até hoje não resolveu a nossa necessidade de desenvolvimento. Todos os municípios do Baixo Tocantins já atentaram para essa situação, somente nós em Igarapé-Miri continuamos a querer apoiar candidatos de outros municípios para nos representar e quando ocorrem às tragédias (como é o caso da Segurança Pública), fazemos passeatas, interditamos vias, para chamar a atenção das autoridades e em respostas recebemos bala de borracha, agressões e barbáries cometidas pela “briosa” Polícia Militar, que atua de maneira truculenta contra os cidadãos que pagam os seus salários. O uso da força é necessário em alguns momentos, mas a truculência deve ser evitada.

Se não conseguirmos eleger um representante na Assembleia, poderemos pelo menos buscar o alinhamento partidário entre as instancias governamentais, para melhorarmos a nossa situação como povo. E isso só se dará se o povo reflexionar sobre o assunto.

Anúncios