PADRE JAIME FALECE, MAS SUA VIDA DE ALEGRIA FORTALECE NOSSA ESPERANÇA

padre jaime

Desde ontem a noite passou a ser divulgada a notícia do falecimento do Padre Jaime Kriek.

Um missionário holandês que chegou na Amazônia e se fixou por muitos anos no Baixo-Tocantins, especialmente em Cametá e Igarapé-Miri.

Ele se apaixonou pelo açaí e pelo mapará. Era apreciador das coisas da nossa região de tal modo que nem a cor da pele ou o sotaque holandês lhe retiraram a condição de “gente nossa”, um caboclo da Amazônia com pele de gringo.

Padre Jaime encantava pelo sorriso fácil, pela alegria de viver e de ensinar. Era de uma humildade franciscana que conquistava pessoas de qualquer religião.

Aqui foi vigário diversas vezes na Paróquia de Sant’Ana, professor de muitos no Ginásio e ensinava cantos. Sua missa das crianças era inconfundível e nem era preciso microfone para a dimensão de sua voz. Visitava as casas das pessoas e comia o que lhe servissem sem cerimônia e achava tudo delicioso, a ponto de lamber os dedos.

O blog do Salomão Laredo (escritor e jornalista) destaca notícia de quando chegou no Pará e de seus hábitos:

PADRE JAIME POR SALOMAO LAREDO

PADRE JAIME, DA HOLANDA PRA CAMETÁ, ADORA MAPARÁ, AÇAÍ E ANDANDO DE CANOA NO RIO TOCANTINS, CONFESSA: “CAÍ N’ÁGUA SÓ DUAS VEZES”

O Pe. Jaime Kriek – Adrianus Jacobus Maria Kriek – ri bastante quando lembra que em sua estada por mais de trinta anos no Baixo Tocantins, caiu poucas vezes na água, ao viajar em pequenas canoas pelo rio Tocantins, na área de Cametá, em seu trabalho missionário nas ilhas e vilas ribeirinha

Padre Jaime nasceu no dia 14 de agosto de 1934, em Haia, na Holanda, e recebeu, no batismo, no dia 15 de agosto do mesmo ano, o nome de Adrianus Jacobus Maria. filho de Franciscus Wilhelmus Kriek e de Joanna Antoneta Hurkens. Sua ordenação aconteceu no dia 23 de julho de 1961. Passou um ano em Paris, onde estudou catequética no Institut Catholique.

Em 1962, no dia 17 de setembro, chegou de navio ao Brasil, em Belém, e foi logo passear em Cametá, pois os coirmãos de Belém tinham dito: aproveite logo para conhecer o Tocantins e Cametá, pois provavelmente nunca mais terá ocasião para isso

Em Cametá, tomou seu primeiro vinho de açaí e gostou “mais ou menos”. Mas, uns dias depois, durante uma viagem para Oeiras, com o prelado dom Cornélio Veerman, trouxeram-lhe açaí novo, grosso, espumando, com açúcar, e ele disse: “bom açaí do jeito deste quero todo dia! E não deixou mais de beber o açaí. Ficou um mês em Cametá e passou direto para Fortaleza

Em fevereiro de 1964, a pedido dele mesmo, foi transferido para a prelazia de Cametá, onde trabalhou durante 33 anos. Padre Jaime não esquece de Cametá. Uma semana antes desta entrevista esteve em Cametá, onde, diz, comeu mapará moqueado; de barriga cheia, ele faz um gesto com a boca e com os dedos: uma delícia !

No portal G1 ele também foi destaque por ter celebrado o primeiro casamento dentro do Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Pará, por conta do noivo estar doente e internado.

casamento com padre jaime

Seus gestos de caridade e amor ao próximo eram espontâneos e simples. Basta ver o que disse para a reportagem em 2013:

“Cenário de consultas médicas, nascimentos e óbitos, comuns a qualquer hospital, a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, mudou um pouco sua rotina hospitalar na manhã desta quarta-feira (19). Na capela centenária da instituição de saúde foi celebrado o casamento do paciente Jânio Romão Saboia, de 52 anos, com a dona de casa Michele Nascimento dos Santos, de 30 anos. Em 363 anos de existência, foi a primeira vez que uma cerimônia de casamento ocorreu na Fundação.

E como em todo casamento, não faltaram convidados, padrinhos, padre, música, bolo e até “chuva” de arroz. Toda a organização do evento foi resultado do esforço coletivo de médicos, enfermeiros, voluntários, alunos residentes do curso de medicina, funcionários, pacientes e da direção do hospital.

Essa cerimônia tem um pouco de cada um de nós da equipe do hospital: um pouco da mão e do coração dessas pessoas. Uma funcionária decorou a capela, uma voluntária fez o buquê e confeccionou as lembrancinhas, o pessoal da comunicação fez os convites, o coral da Santa Casa entoou os cânticos, outros se dividiram para comprar a comida e a bebida que foram servidas na recepção, que aconteceu no refeitório. Teve até a esposa de um paciente que fez questão de manter a promessa do marido, de que ele doaria o bolo aos noivos, mas o companheiro faleceu ontem e não teve a chance de ver essa festa emocionante”, conta a terapeuta ocupacional Clévia Dantas, que assiste Jânio Romão.

Os enfermeiros Antônio Augusto e Fábio Ferreira não escondiam a alegria e a preocupação com o paciente, do qual cuidam há pelo menos três anos. “Nós nos esforçamos mais que o habitual quando o Jânio decidiu que queria se casar, para mantê-lo bem nesse tempo. Mas o quadro dele é grave, e ontem, por exemplo, ele sentiu enjoos, indisposição, e intensificamos a medicação”, explica Antônio Augusto. “Hoje ele (Jânio) não levantou tão bem, mas a gente dá aquela força, estimula, incentiva para que ele se sinta mais confiante e acredite que vai dar tudo certo. Aliás, já deu certo, tanto que ele está de pé, vestido de noivo para o dia que certamente será o mais especial da vida dele”, aposta Fábio Ferreira.

O padre holandês Jayme Kriek, de 78 anos, pároco de uma igreja no bairro do Umarizal, dá início à celebração e lembra a todos o valor do sacramento para os católicos. “Eu quero deixar claro a vocês que vim fazer apenas uma celebração, o casamento quem faz são o marido e a mulher, na convivência do dia a dia, na saúde, na pobreza, na adversidade, nos momentos felizes. Cabe a vocês dois assumir a responsabilidade não só entre vocês dois, mas perante a Igreja Católica, perante a Deus”, orientou.

O sacerdote contou ao G1 que ficou surpreso com o convite e mesmo lisonjeado em participar do casamento realizado em um lugar inusitado. “Com 41 anos exercendo o sacerdócio nas mais diversas localidades do Pará, eu já abençoei casais em capelas bem humildes, em sítios, em fazendas, mas em um hospital é a primeira vez”, revela. “Ser escolhido por Deus e por essas pessoas é um privilégio, o de poder sacramentar a união entre duas pessoas que se amam e estão juntas em um momento muito difícil, que é a doença”, diz o padre.

Padre Jaime estava doente a alguns dias e teria falecido ontem, já com idade avançada (82 anos) e mais de quatro décadas de sacerdócio.

Deixa saudades e também a esperança para todos nós, pois seus sorriso ficará para sempre marcado entre os que o conheceram e puderam aproveitar de sua convivência nesta terra.

padre jaime em casamento

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3 comentários sobre “PADRE JAIME FALECE, MAS SUA VIDA DE ALEGRIA FORTALECE NOSSA ESPERANÇA

  1. Padre Jayme foi um grande amigo na Paroquia de Santo Antonio de Pádua no Bairro Jardim Iracema em Fortaleza-Ce

  2. Padre Jaime, não esquecendo também do Padre Lino, ficarão para a história de nossa Igreja São Raimundo Nonato e presente em nossas memórias. Lembrança de como regia o Pai Nosso parecendo um maestro. Vá em paz!

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