CARLOS MENDES: E O PREFEITO “JUSTICEIRO” DE IGARAPÉ-MIRI, FORAGIDO DA JUSTIÇA, ONDE SE METEU ?

O jornalista Carlos Mendes publicou hoje em seu blog VER-O-FATO uma matéria sobre a fuga do ex-prefeito Pé de Boto.

Carlos Mendes é jornalista investigativo e um dos mais conhecidos no Estado do Pará e dos mais renomados no Brasil. Não se sabe se vai aprofundar esse trabalho para descobrir o paradeiro de Pé de Boto, mas o caso deve ganhar mais repercussão no meio jornalístico.

Vejam a matéria:

BOTOE O PREFEITO “JUSTICEIRO” DE IGARAPÉ-MIRI, FORAGIDO DA JUSTIÇA, ONDE SE METEU?

E o “Pé de Boto”, hein? Onde se meteu? A quantas anda o caso dele na Justiça? Para quem não lembra, “Pé de Boto” – afinal, boto tem pé? – é como é conhecido no município de Igarapé-Miri o ex-prefeito Ailson Amaral, aquele que foi defenestrado do cargo ano passado por decisão do TRE. “Pé de Boto”, além de cassado pela justiça eleitoral, também é caçado pela polícia, pois é considerado foragido de justiça. 

Ele responde a um baita processo no Tribunal de Justiça, acusado pelo procurador Nelson Medrado de liderar um grupo de extermínio e de cumprir promessa de campanha de “limpar” o município de traficantes e outros tipos de criminosos, maiores e menores, literalmente fazendo justiça com as próprias mãos.

Policiais militares que entraram na esparrela do prefeito “justiceiro” também estão sendo processados pela matança e podem vir a ser expulsos da Polícia Militar. O prefeito nega tudo e se diz vítima de adversários políticos  em Igarapé-Miri. Mas, em vez de se defender das acusações do MP e de comparecer às audiências do processo, decidiu se escafeder. Não se sabe se para bem longe do município, ou pertinho, numa dessas ilhas desertas.

Pois bem. O Tribunal de Justiça do Estado divulgou nota sobre o andamento da ação penal que resultou da “Operação Falso Patuá”, envolvendo “Pé de Boto” e outras 11 pessoas. A ação penal foi impetrada por Nelson Medrado e recebida pela justiça para apurar denúncia da atuação de um grupo de extermínio, sendo que dos acusados 8 estão presos e 4 ainda foragidos da justiça, entre eles o ex-prefeito, tido no jargão judicial como “em local incerto e não sabido”.

As testemunha de acusação foram ouvidas e algumas de defesa também. Mas uma testemunha faltou à audiência e o juiz mandou conduzi-la coercitivamente em nova sessão. Enquanto isso, os presos tentam soltura com habeas corpus ou pedidos de revogação ao juiz do caso, que até agora tem negado os pedidos. 

O juiz Enguellys Torres de Lucena, que preside o processo criminal, já ouviu até agora 41 pessoas em quatro audiências no Fórum Criminal de Belém. A próxima audiência está marcada para 8 de abril.  O grupo liderado pelo ex-prefeito responde por 15 homicídios e 8 tentativas de homicídio. 

Na denúncia oferecida à Justiça em outubro de 2014, pela 7ª. Promotoria de Justiça – Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e Corrupção,“Pé de Boto” é acusado de dispor de uma lista de moradores da cidade com ficha policial, os marcados para morrer. Consta na acusação que as vítimas eram levadas por policiais militares para locais incertos e executadas sumariamente. 

As audiências estão sendo feitas no Fórum de Belém para garantir a segurança dos trabalhos e pela proximidade das casas penais onde estão custodiados os envolvidos. Presentes, os advogados dos denunciados e o representante do Ministério Público, Amarildo Guerra.

Quem é quem 

Os denunciados são: 1– Ailson Santa Maria do Amaral, vulgo “Pé de Boto”, ex-prefeito municipal de Igarapé-Miri e chefe da quadrilha (está foragido); 2 – Amilton Nazareno Santa Maria do Amaral, irmão de “Pé de Boto”, também está foragido); 3 – Ruzol Gonçalves Neto, vulgo “Ruzol” ou “Ruzo”, secretário municipal de Obras e Infraestrutura de Igarapé-Miri; 4 – Rafael da Silva Neto, filho de Ruzol, foragido da justiça; 5 – Paulo Sérgio Fortes Fonseca, vulgo “Cabão”, policial militar, também foragido; 6 – Marcelo Matias de Jesus, vulgo “Matias”, policial militar; 7 – Silvio André Alves de Souza, vulgo “CB Silvio” ou “Beiçudo”, policial militar; 8 – Marco Afonso Muniz Palheta, vulgo “Cabo Muniz”, policial militar; 9 – Rivadávia Alves dos Santos, vulgo “Sargento Rivadavia”, policial militar; 10 – Dilson Harlen Nascimento Nunes, vulgo “Cabo Dilson”, policial militar; 11 – Edson Carlos Souza, policial militar; 12 – Everaldo Lobato Vinagre, vulgo “Boi”. 

Advogados

A defesa dos dois primeiros denunciados e de Paulo Sérgio Fonseca está sob a responsabilidade do advogado Arnaldo Lopes de Paula. O ex-secretario de obras do município, Ruzol Gonçalves, o filho dele, Rafael Neto, o cabo Silvio e Everaldo Vinagre “Boi”, estão sendo defendidos pelo advogado Amadeu Correia Filho; a defesa de Marcelo Matias está sob a responsabilidade da advogada Dinilza Teixeira.

A defesa de Marcus Palheta está com o advogado Eliezer Borges, do CAC jurídico da Assembléia Legislativa do Estado; sargento Rivadavia Santos e Edson Carlos estão com os advogados Alexandre Vasquez, Rodrigo Godinho e Miguel Gualberto; e cabo Dílson está sendo defendido pelo advogado Fabrício Barreto Nascimento.

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