GM ENTREVISTA: ISAAC FONSECA É PRÉ-CANDIDATO DO PSOL NA TERRA DO AÇAÍ

ISAAC PRE CANDIDATO

Ontem o PSOL reuniu militantes, simpatizantes e membros de diversos partidos para ouvir do deputado federal Edmilson Rodrigues que ISAAC FONSECA é pré-candidato a prefeito de Igarapé-Miri.

É o segundo evento desse tipo na Terra do Açaí, o primeiro foi do PT, que fez o lançamento da pré-candidatura de Padre Jucelino.

É certo que outros pré-candidatos já estão nas ruas e buscando espaços para a disputa do pleito de outubro deste ano.

Mas o que teria de diferente na candidatura do PSOL ?

Isaac Fonseca é jovem, professor e envolvido com política e movimentos sociais desde muito cedo. É um dos fundadores deste blog e de muitos outros projetos na Terra do Açaí.

A estratégia do PSOL foi percorrer o município, alinhavar propostas e partir para um debate franco e aberto com as comunidades e com os demais partidos.

A maior dificuldade certamente é o caixa, pois não tem grandes patrocinadores e o PSOL ainda é novo no cenário nacional, mesmo tendo bons expoentes na Câmara Federal.

O GM pediu entrevista com o Professor Isaac sobre diversos temas, que você confere a seguir:

foto issac araujo

Gazeta: Professor Isaac, o que lhe motivou a se lançar pré-candidato a Prefeito nestas eleições?

Isaac – A decisão não é minha. É do PSOL. E foi tomada depois de ouvir diferentes grupos e seguimentos sociais do nosso município. Quando ouvimos as pessoas um sentimento nos chamou a atenção: muita gente diz que (quase) não acredita mais em política e nos políticos, mas, ao mesmo tempo demonstra esperança, porque sabe que de toda crise tiramos lições pra nossa vida. Esta bonita declaração, de fé inclusive, mostra o quanto forças políticas alternativas, como o PSOL, são tão necessárias atualmente. Mas, para além disso, há duas questões que determinam a nossa pré-candidatura: Nós temos um projeto de desenvolvimento para o município e queremos uma oportunidade para construí-lo junto com o povo. E, finalmente, temos consciência de que milhares de mirienses não se sentem representados pelos grupos que já detiveram o poder político local ou o detém. E, por isso, querem a renovação da política e da gestão municipal.

Gazeta: O PSOL optou pela neutralidade nas eleições suplementares de 2015. Qual o motivo? Existiria ainda alguma mágoa com o PT, de onde vários filiados optaram por criar o PSOL?

Isaac – Optamos pela “neutralidade” em 2015 por uma estratégia política: não teria sentido subir ao palanque de nenhum grupo se no ano seguinte desmentiríamos a nós mesmos. Neste ano queremos apresentar o nosso projeto. Sobre “mágoa”, eu não conheço essa palavra: aprendi com minha família e na minha Igreja que nós somos diferentes, temos o direito de nos manifestar e o dever de ouvir os outros. O que discutimos na política fica no campo da política, ou seja, o que discutimos nos eventos políticos (nas reuniões, por exemplo) termina lá. Ao final, somos todos irmãos, iguais na diferença.

Gazeta: Há quanto tempo o senhor atua na política e em movimentos sociais e qual a experiência que adquiriu nessa militância para querer atuar como gestor público?

Isaac – Acredito que esse elemento tem sido levado muito em consideração pelo PSOL. Nosso partido conhece e, por isso, valoriza a minha militância política, meu envolvimento com as lutas do povo. Tenho hoje 35 anos, dos quais já dediquei cerca de 20 para acompanhar as comunidades, movimentos e sindicatos de nosso município. Essa inserção no seio da sociedade, como uma liderança (que serve) ao lado de muitas, levou-me a cumprir diversas tarefas de representação e/ou acompanhamento às lutas dos trabalhadores(as), entre elas a função de Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Por outro lado, minha paixão pelas lutas sociais e pelo desenvolvimento da nossa terra e o incentivo da família serviram-me de impulso para o estudo: fiz Especialização em Gestão Pública e Mestrado em Sociologia justamente para acumular elementos que me permitam contribuir ainda mais com os desafios da nossa gente.   

Gazeta: Quais as principais dificuldades a serem enfrentadas na campanha política deste ano?

Isaac – Eu diria que a primeira delas é vencer a desilusão, o descrédito que grande parte da sociedade sente em relação aos políticos. E, para isso, é preciso reacender a esperança que nunca saiu de nós. Depois é enfrentar, com debate político de qualidade, os abusos de poder econômico que já estão sendo anunciados por algumas pré-candidaturas. Felizmente, temos notado que cada vez mais os cidadãos estão se conscientizando de que uma política limpa é urgente e necessária. E, ainda, que a melhoria da nossa vida em sociedade depende fundamentalmente da qualidade da gestão pública que nós escolhemos. 

Gazeta: O apoio de Edmilson, Marinor e outras lideranças pode ajudar o PSOL a disputar em igualdade com os demais candidatos ou a força econômica pode influenciar no próximo pleito e distanciar os que estarão na disputa?

Isaac – Não temos dúvida de que o dinheiro conta muito em uma sociedade capitalista e seu uso abusivo, em um pleito eleitoral, ainda influencia algumas pessoas. No entanto, cada vez mais notamos que muita gente está se convencendo de que quem compra o voto de alguém não tem nenhum compromisso com as pessoas e o município. Por isso acredito que neste pleito podemos ter uma reviravolta. Mas há outra coisa que considero muito importante. O mandato de Marinor no Senado não durou um ano, entretanto, ela mostrou que quando se representa o povo os resultados aparecem. O Edmilson foi escolhido recentemente um dos cinco melhores deputados do Brasil. Em resumo: posso dizer, humilde e sinceramente, que nossas lideranças do PSOL têm o respeito e a confiança da sociedade, porque de fato a representam. Tenho consciência que isso será um diferencial também em nosso município.         

Gazeta: Em sua visão, quais os principais problemas a serem enfrentados pela próxima gestão municipal?

Isaac – Nosso município não recebe royalties, pois, não explora minério do subsolo. Não temos parques tecnológicos ou grandes indústrias. Mas temos terra fértil e água em abundância. Então, nosso desenvolvimento tem que vir do campo e do estímulo a outras tantas vocações produtivas. Nós não merecemos um governo que nos ofereça sopa e depois ferre a nossa vida. Nossa juventude também não precisa somente de asfalto: precisa de estudo de qualidade, trabalho e cultura. É assim que a gente enfrenta a violência, cria oportunidades e gera qualidade de vida. De outra parte se faz urgente melhorar a qualidade da nossa educação; implantar escolas de tempo integral, para que nossas crianças, adolescentes e jovens sejam acompanhados o dia todo e, assim, deixem de se ocupar com atividades que os prejudiquem. A segurança, embora de responsabilidade do Estado, tem de ser prioridade absoluta da gestão. Para tanto é preciso implantar a Guarda Municipal, apoiar o trabalho das policiais; firmar parceria com a Secretaria de Segurança do Pará para promover uma estratégia de enfrentamento à violência fundamentalmente no que diz respeito ao uso e comercialização de drogas e armas e criar a Rede de Proteção Social do Município como política de acompanhamento permanente às famílias. A Saúde tem que sair do caos e, entre os seus desafios, a gestão deve ampliar e fortalecer as Unidades Saúde da Família (USF), garantir médicos regularmente, incluindo as “especialidades”; fortalecer a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS); Concluir e fazer funcionar a UPA (AçaiLar) e a UBS (Praça Sarges Barros) e buscar apoio para a construção de um novo Hospital Municipal. Finalmente, não podemos achar que apenas obras resolvem os nossos problemas. Além da Segurança, Educação, Saúde e do fomento à geração de trabalho e renda temos que investir numa política de cultura e incentivo ao esporte e lazer, pois, nossa vida não precisa só de pão, tanto quanto precisa de alimento para a alma.

ISAAC PRE CANDIDATO 01          

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