VERTICALIZAR A PRODUÇÃO DO AÇAÍ PODE GERAR MAIS EMPREGO E RENDA

PRODUÇAO DO ACAI

O Estado do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento acredita que verticalizar a produção do açaí, agregando valor e renda pode ser a saída para o nosso crescimento.

A notícia vem da Agência Pará e divulga um encontro ocorrido neste mês reunindo Secretários de Estado, produtores de polpa de açaí e outros convidados.

O Pará produz 99% da polpa do açaí no Brasil, mas quem ganha mais dinheiro com isso é o Ceará, que produz derivados da polpa e com isso arrecada mais tributos, gera renda e emprego. E no Ceará existem apenas duas empresas que trabalham nesse setor.

O que falta para que nosso Estado e principalmente Igarapé-Miri possa ter maior desenvolvimento com a produção de açaí ?

Na visão do secretário de desenvolvimento, falta mais conhecimento, inovação tecnológica, incentivos fiscais e intervenções para facilitar a logística e a compra de insumos, a exemplo de embalagens para os produtos.

A idéia é dar mais incentivos para a pesquisa e inovação.

Aqui não se produz bombons, biscoitos, vinhos, licores e outros produtos do açaí, que se tornou uma marca importante no mundo e é cobiçada, além do consumo em academias.

Eles acreditam também que com a irrigação seria possível produzir até 15 toneladas de açaí por hectare, bem mais do que 5 ou 6 na várzea.

Se estiverem certos, em pouco tempo a Igarapé-Miri poderá deixar de ser a Capital Mundial do Açaí, mas certamente que nenhum outro local vai produzir açaí mais gostoso do que o nosso.

Tem outra reunião marcada para 3 de novembro e seria interessante que nossos produtores ou gestores municipais estivessem presentes para acompanhar o andamento desses trabalhos que vão nortear investimentos públicos no açaí.

Vejam a matéria da Agência Pará:

ALEX FIUZA

Pará quer verticalizar a indústria do açaí para gerar emprego e renda

Da Redação – Agência Pará de Notícias – Atualizado em 26/10/2015 10:28:00

Mais conhecimento, inovação tecnológica, incentivos fiscais e intervenções para facilitar a logística e a compra de insumos, a exemplo de embalagens para os produtos. Esses foram os compromissos assumidos pela equipe de secretários estaduais e dirigentes de órgãos da administração direta e indireta do Governo do Pará na primeira rodada de conversa com donos de empresas processadoras da polpa do açaí. O encontro, realizado a convite do secretário de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki, na semana passada, foi o primeiro passo dado no avanço da industrialização do setor. A próxima reunião será no dia 3 de novembro.

“O nosso convite parte da premissa que move a legislação de incentivos fiscais no Estado: a verticalização das cadeias produtivas com agregação de valor para nossos recursos naturais’’, afirmou o secretário Adnan Demachki, logo no início da reunião, na presença dos  micro e médios empresários da indústria do açaí, instalados em Belém, Ananindeua, Santa Bárbara e Castanhal.

Também participaram da conversa o secretário Alex Fiúza, de Ciência e Tecnologia (foto acima); o presidente do Sebrae Pará, Fabrízio Guaglianone; a presidente do Sindfrutas, Solange Mota; o economista Roberto Sena, do Dieese Pará, e representantes da Fiepa, UFPA, Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e Junta Comercial do Pará (Jucepa).

Da Sedeme, estiveram presentes a secretária adjunta técnica, Maria Amélia Enríquez e as equipes das diretorias de Política de Incentivos Fiscais e de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços, que tem à frente Marília Amorim e Sérgio Menezes, respectivamente.

Adnan Demachki salientou que os números da economia paraense não são confortáveis. Ele recordou que a renda per capita no Pará é a metade da renda per capita nacional. O secretário citou o projeto de planejamento de longo prazo, que o Estado elabora com a consultoria especializada da Mckinsey&Company, empresa de reputação no mercado na área de projetos estratégicos, com o propósito de dinamizar o setor produtivo local a partir de estratégias macro econômicas e políticas, num horizonte de 15 anos (2015-2030), o que demonstra o comprometimento do governo Simão Jatene com a sustentabilidade do Estado.

O Pará é o Estado campeão em produção de açaí do País. Ocorre que, atualmente, 99% dessa produção gera apenas a polpa do fruto. E é o Estado do Ceará, com a atuação de somente duas empresas, o que mais agrega valor ao açaí cultivado no Pará, e por consequência, é o que mais gera renda, empregos e arrecada impostos e tributos a partir dessa produção.

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Tecnológica, Alex Fiúza de Melo, o Estado tem esforços a fazer diante das demandas do setor, que vão desde o controle de qualidade aos investimentos em pesquisa e inovação.

‘’Nos colocamos à disposição para intervir, inclusive, disponibilizando recursos públicos para investimentos em pesquisas e inovação, aperfeiçoamento de processos químicos e bioquímicos. Muitas vezes não se sabe a quem se dirigir e como se dirigir. Estamos junto com a Sedeme na perspectiva de dar o respaldo que a categoria necessitar’’, disse Fiúza.

Presidente do Sebrae Pará, Fabrízio Guaglianone, ressaltou que o órgão tem atuado basicamente junto a produtores de açaí, principalmente no cultivo de espécies melhoradas geneticamente. No entanto, Guaglianone enfatizou que o Serviço tem diversos projetos de orientação para a gestão de negócios. “Também estamos junto com o Governo nessa tarefa’’, assegurou ele.  

Solange Costa, presidente do Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados (Sindfrutas), agradeceu o convite do secretário Adnan Demachki e também se comprometeu a ser parceira do Estado. Ela expôs alguns dos problemas que limitam uma melhor performance da industrialização do açaí no Pará, entre eles, a grande dependência das indústrias da prática extrativista de açaizais nativos, o que impacta a regularidade de produção, sujeita aos ciclos naturais da espécie, com baixa produtividade na entressafra, bem como o alto valor da alíquotas que incidem sobre a compra de máquinas e equipamentos industriais.

Em síntese, os pequenos e médios empreendedores apontaram a falta de conhecimento do próprio segmento sobre as potencialidades do açaí de gerar novos produtos, além da tradicional polpa, até as dificuldades de obtenção de insumos, a exemplo de embalagens, custos altos dos fretes e dificuldades de logística para distribuição do produto.

Os relatos foram registrados e constarão da pauta de uma nova reunião marcada para a sede da Sedeme, em Belém, no próximo dia 3. Na oportunidade, o gerente de Fruticultura da Sedap, Geraldo Tavares, apresentará os resultados do convênio com a Emprapa Amazônia Oriental, de produção de sementes melhoradas para diversos municípios desde o ano de 2008.

Geraldo informou que com a semente de alta qualidade e o plantio em terra firme com técnica de irrigação é possível dobrar a produção, alcaçando até 15 toneladas por um hectare, enquanto na várzea se consegue somente de 5 a 6 toneladas por hectare.

“Se nós quisermos chegar em 2030 com a mesma renda per capita da média brasileira, a economia paraense tem de crescer por ano cerca de 8%, é praticamente o crescimento da China’’, observou Adnan Demachki, assinalando que o modelo de Estado exportador de matéria-prima e commodities (mercadorias ou produtos de base em estado bruto) dos últimos 70 anos, não garantiu ao Pará o desenvolvimento socioeconômico desejado. “O que se quer é mais emprego, renda e divisas para o Pará com a industrialização aqui’’, afirmou.

Valéria Nascimento
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia

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4 comentários sobre “VERTICALIZAR A PRODUÇÃO DO AÇAÍ PODE GERAR MAIS EMPREGO E RENDA

  1. Sem querer questionar, mas não seria mais viável investir no melhoramento do açaí da várzea, onde não precisa adubação, não precisa de irrigação, não se usa agrotóxico, onde podemos afirmar que se pratica a verdadeira agricultura verde, onde o meio ambiente é realmente respeitado? Mesmo que o rendimento seja menor na várzea, quanto fica o custo de produção do açaí em terra firme com o uso da irrigação? Sim, porque o açaizeiro sendo uma palmeira, é altamente exigente em agua. Onde existe plantios em terra firme com esse rendimento?, pois o que conheço não me parece que apresenta essa produtividade. Igarapé Miri, sempre foi e é o grande produtor de açaí, tem várzeas maravilhosas, uma verdadeira dádiva de Deus, porque as autoridades, pesquisadores e até mesmo empresários que ganham com o açaí ignoram esta riqueza natural? Acho que o Prefeito tem que se impor como autoridade do maior município produtor de açaí e exigir essas providencias que estão se desenhando, sejam também direcionadas para IGARAPÉ MIRI.

    • Seria importante a participação do prefeito, dos vereadores, dos produtores e industriais que trabalham com o açaí. A reunião ocorreu dia 3 de novembro. O GM divulgou para ver se interessados participavam.

  2. Acho que a gazetamiriense em nome da grande população do município pode e deve continuar essa luta em prol do açaí, porque acredito que o desenvolvimento de IGARAPÉ MIRI, depende e passa necessariamente pela AGRICULTURA.

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