BARCARENA: NAVIO AFUNDA, BOIS SÃO ABATIDOS NA PRAIA E POLUIÇÃO ASSUSTA.

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Barcarena voltou para a mídia local, nacional e mundial no dia de ontem.

Agora não é a violência e nem os shows que são manchetes, mas o naufrágio de um navio do exterior que transportava gado. Seriam mais de 5 mil cabeças.

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Boa parte desse gado que é exportado vivo descansa em pastos próximos a Igarapé-Miri, na Vila do Pontilhão.

As causas do acidente ainda não são conhecidas. Mas o problemas decorrentes do morte de muitos dos animais e do lançamento de milhares de litros de óleo no Rio Pará já foram sentidos.

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O primeiro destaque negativo foi o abatimento dos bois nas praias. A cena chocou muitos, seja por revelar a fome e a pobreza da população de um dos municípios mais ricos do estado ou pelos riscos à saúde dos que iriam consumir essa carne retida em cima da areia da praia.

O segundo foi o susto com a óleo da embarcação que já está poluindo o rio e pode aumentar os danos ao meio ambiente, em especial aos peixes.

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As imagens correm o mundo e deixam um péssimo retrato, mas é a nossa realidade.

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Vejam matéria do G1 sobre o tema:

Um navio que transportava carga de cinco mil bois vivos afundou na manhã desta terça-feira (6) no cais do porto de Vila do Conde, em Barcarena, nordeste do Pará. O naufrágio aconteceu duas horas depois da embarcação ter tombado. Imagens mostram os animais saindo de dentro da embarcação e subindo na lateral do navio, parcialmente submerso. Um vídeo feito pelo estivador Renato Pereira registrou a correria no porto logo no início da manhã.

Segundo a Capitania dos Portos, o naufrágio do navio de nome Haidar foi comunicado por volta das 8h. Uma equipe do Grupo de Vistoria e Inspeção da Capitania foi enviada ao local. De acordo com informações preliminares, não houve vítimas humanas ou de poluição do meio hídrico.

Um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação será instaurado pela Capitania dos Portos, no intuito de apurar as causas do naufrágio, com prazo de conclusão de 90 dias

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E também do blog do Lúcio Flávio Pinto sobre o tema:

Paraíso poluído

PUBLICADO POR LÚCIO FLÁVIO PINTO  7 DE OUTUBRO DE 2015  

Depois de ter testemunhado o naufrágio do navio boiadeiro em Barcarena, o repórter Luiz Octávio Lucas decidiu dar seu depoimento sobre o fato, que reproduzo a seguir.

Cinco mil bois naufragados, alguns poucos esquartejados por ribeirinhos miseráveis, outros tantos resgatados, mas a maioria submersa no rio Pará, a espera de um resgate, ainda que já sejam cadáveres em decomposição. Este é o retrato do acidente com o navio que transportava gado em pé, com destino ao exterior, a partir do Porto de Vila do Conde, em Barcarena, nordeste do Pará, nesta terça-feira, 6 de outubro.

O tombamento da embarcação apenas evidencia diversos dramas que um olhar mais atento pode observar: a pobreza da população de Barcarena, que mesmo com um dos maiores produtos internos brutos do Estado, ainda encontra em tragédias como essa uma forma de subsistir e aplacar sua fome, vendendo a carne naufragada? Apenas comendo? Lucrando um parco dinheirinho que pode aliviar o drama financeiro do dia a dia?

E o que fica em troca das cenas atrozes presenciadas na outrora bela praia do vilarejo? Como esquecer aquelas rodinhas em volta do gado morto, mãos armadas com facas e serras, ensanguentadas, a partir a carne entre si, sem se importar com o olhar estupefato de curiosos e câmeras de cinegrafistas? Passos apressados com sacos de tripas e carnes, ostentados como verdadeiros troféus em meio a também famintos urubus e o sol escaldante que, em outra época, servia apenas para bronzear ainda mais a morenice dos habitantes locais.

Intestinos retalhados que derramam quilos de fezes de gado na areia e empesteiam o ar de um ex-paraíso. E como se isso já não fosse tragédia o suficiente, ainda há que se acostumar, mais uma vez, com o derramamento de óleo diesel nas águas, com o odor fétido que isso exala e com a mortandade de peixes que sempre vem quando esses acidentes ambientais impactam a localidade.

Assim foi a terça-feira de Vila do Conde, assim serão os próximos dias. É o preço que se paga pelo estratégico porto, de onde riquezas made in Brazil são exportadas. É o sofrimento de um povo que tem a sina de viver em um polo industrial sujeito a esse tipo de intempérie. Que ganha em troca pão e circo, como shows internacionais e festivais que escondem o “abacaxi” que há muito se transformou esta cidade.

O pesadelo do povo, que por algumas horas pareceu ser sonho, com a carne fácil que já está apodrecendo, ganha mais um capítulo com este triste episódio. Pobre Barcarena! Pobre Pará!

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5 comentários sobre “BARCARENA: NAVIO AFUNDA, BOIS SÃO ABATIDOS NA PRAIA E POLUIÇÃO ASSUSTA.

  1. Não aconteceu mais nada em Igarapé Miri? Não teve mais postagens os pais de alunos estão satisfeitos, não houve mais assaltos a população e o blog estão satisfeitos pois não saiu mais nada no blog.

  2. Eu estou extremamente triste com o blog gazeta Miriense, pois eu pensava que ele tinha sido criado para divulgar o que acontece no nosso município, de bom e de mau só que agora fui ver que ele foi criado para defender um grupo político que se pensa no poder, pois hoje que esse grupo está no poder o blog parou de divulgar o que está acontecendo no município e nem os comentários que são feitos são publicados. Triste Igarapé Miri, vemos que todos os que dizem que defendem o município na realidade só defendem os interesses próprios.

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