MÉDICO MIRIENSE MANOEL CARDOSO FALECE COM SUSPEITA DE DOENÇA DE CHAGAS

dr manoel cardoso

(foto do irmão de Manoel, que também está suspeita da doença)

A notícia do falecimento do médico Dr. Manoel Cardoso entristeceu muitos Mirienses nesta semana, em especial seus amigos e familiares na Vila de Maiauatá.

Ele faleceu em Belém e sua morte vem causando polêmica por situações que mostram certa ironia do destino.

O Médico que se dedicou por muitos anos a cuidar da saúde das pessoas e a salvar vidas tinha paixão pelo consumo de açaí, o que é a tendência de grande maioria dos Mirienses.

E depois de alguns dia do consumo do fruto ele veio a sentir sintomas típicos da Doença de Chagas, que vem sendo um dos principais problemas enfrentados na saúde pública ligados ao consumo do Açaí, principalmente derivados da falta de higiene no manuseio dos caroços.

Assim, a morte do médico Manoel Cardoso chamou a atenção também para a maneira de enfrentar a Doença de Chagas.

Que descanse em paz o Dr. Manoel Cardoso e que tenha o bom consolo seus familiares.

E que a polêmica decorrente deste lamentável caso possa mobilizar os órgãos de saúde e aqueles que vivem da venda do açaí a buscarem melhores condições de manipulação e higiene, evitando assim mais mortes pela Doença de Chagas.

Vejam algumas das matérias sobre o caso que foram destaques no G1, O Liberal e Diário do Pará.

Portal G1:

O médico obstetra Manoel Cardoso, de 63 anos, morreu na quarta-feira (8) em um hospital particular de Belém. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele foi diagnosticado há dois meses com a fase aguda doença de Chagas e tinha insuficiência cardíaca, o que teria agravado a doença. Familiares e amigos lamentaram a morte do médico e velam o corpo em uma capela no bairro do Marco.

A doença de Chagas é causada por um parasita encontrado nas fezes do barbeiro. No Pará, a forma de transmissão mais comum da doença acontece pela ingestão de alimentos contaminados, como o açaí.

A família do médico suspeita que ele tenha consumido açaí de um ponto de vendas que fica no bairro da Cidade Velha. O cunhado dele também está com a doença e faz tratamento.

Em 2013 no Pará, foram registrados 133 casos de doença de Chagas e uma morte. Já em 2014 tiveram 137 casos e duas mortes. Os lugares com maior incidência dos casos são: Região Metropolitana de Belém, Marajó e Abaetetuba.

O LIBERAL

A morte em Belém do médico obstetra Manoel Cardoso, de 63 anos, na quarta-feira (8), vítima da doença de Chagas, está sendo investigada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) por causa da possibilidade de ter sido contraída através da ingestão de açaí. Cardoso morreu em um hospital particular da capital, dois meses depois de haver sido diagnosticado com a fase aguda da doença de Chagas e de confirmado que sofria de insuficiência cardíaca. A família do médico também suspeita que ele tenha consumido açaí contaminado de um ponto de vendas que fica no bairro da Cidade Velha. Na mesma época um cunhado dele, Paulo Gemaque, também adquiriu a doença e se encontra em tratamento.

Ainda segundo a Sesma, essa foi a primeira morte deste ano causada pelo inseto transmissor, o barbeiro, em Belém. No Pará, a forma de transmissão mais comum da doença ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, entre os quais o açaí. “Eu cheguei na casa dele e tinha um açaí com peixe. Nós tomamos o açaí todinho que ele comprou. Fui embora para casa, levei o peixe para o pai dele. E, depois de dez dias, começamos a sentir os sintomas da doença”, contou o autônomo Paulo Gemaque, cunhado do médico. “Só Deus agora na nossa vida. Quero que deus ilumine ele, para o resto da vida dele”, disse, emocionado, em entrevista à TV Liberal. 

No velório do médico, seus amigos lembraram a conduta de Manoel Cardoso. “Ele fazia muita caridade. Era uma pessoa bastante reservada, mas ajudava muita gente”, contou o engenheiro Álvaro Guimarães. “Ajudava muita gente do interior, ajudava funcionário do hospital”, completou. “Foi muito rápido, na verdade, o avanço da doença. Quando a gente investiu no tratamento… A gente tentou de tudo”, lamentou o fisioterapeuta Jhony Nunes. O médico morreu no Hospital Adventista de Belém, onde trabalhou por mais de 30 anos, e seu corpo foi sepultado ontem. 

Em nota, a Sesma informou que, desde que o médico foi diagnosticado há dois meses com a fase aguda da doença, pelo Instituto Evandro Chagas, passou a investigar o caso. Foram examinados parentes de Manoel e inspecionados, ainda, pontos de açaí próximos de onde ele morava, sendo realizadas ações de combate ao vetor da doença – o inseto barbeiro.

Ainda segundo a Sesma, este ano, seis casos da doença de chagas foram confirmados em Belém. Cinco pessoas da mesma família foram contaminadas. Em 2014, foram confirmados 28 casos. Já a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que, em 2013, foram registrados, no Pará, 133 casos de doença de chagas e uma morte. Em 2014, foram 137 casos e duas mortes. Os lugares com maior incidência são a Região Metropolitana de Belém, a ilha do Marajó e o município de Abaetetuba. 

A doença de Chagas é causada pelo protozoário parasita trypanosoma cruzi, que é transmitido pelas fezes do barbeiro. Os principais sintomas são febre, mal-estar, inflamação e dor nos gânglios, vermelhidão, inchaço nos olhos, aumento do fígado e do baço. Com frequência, a febre desaparece depois de alguns dias e, por essa razão, a pessoa não se dá conta do que lhe aconteceu, embora o parasita já esteja alojado em alguns órgãos do corpo.

 Diário do Pará

Responsável por duas mortes em 2014 no Pará, a Doença de Chagas pode ter feito mais uma vítima no Estado. Diagnosticado com a enfermidade há cerca de dois meses, o médico obstetra Manoel Cardoso, 63 anos, morreu, na última quarta-feira (8), em um hospital particular de Belém. A suspeita é de que ele tenha consumido açaí contaminado com o parasita causador da doença.

Segundo informações repassadas pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em 2015 já foram registrados 39 casos da enfermidade, a maioria provocada pela transmissão oral através do consumo de alimentos contaminados. Ainda segundo a Sespa, seis municípios do Estado tiveram registros da doença neste ano. O maior número de casos ficou concentrado em Ananindeua e na capital, Belém. Em 2014, foram confirmados 137 casos da Doença de Chagas aguda em vinte municípios paraenses.

Moradora do bairro da Cidade Velha – onde o médico costumava comprar açaí-, a cozinheira Marcele Sanches afirmou que ficou apreensiva ao saber do caso. Ela disse que, mesmo antes da notícia da morte do médico, sua família já comprava o produto apenas de lugares que sabidamente cumprem as regras da Vigilância Sanitária. “O meu avô toma meio litro de açaí todos os dias, mas ele não tem essa noção de verificar de onde está comprando”, contou, referindo-se ao avô, Francisco Barra, 78. “Mas a minha avó tem essa preocupação e sempre tem o cuidado de comprar em locais seguros. Com esse caso da morte do médico, nossa preocupação redobrou”.

Habituada a consumir o produto sempre de um mesmo ponto, Marcele destaca que prefere ficar sem tomar açaí nos dias de falta, do que arriscar a comprar em um ponto desconhecido. “Quando não tem no local onde compramos, preferimos não adquirir em outro lugar. O meu avô até fica aborrecido, mas não arriscamos”, afirmou.

CUIDADO

Cliente do mesmo ponto de venda de açaí há 20 anos, a dona de casa Cezarina da Silva, 71, também diz que tem o cuidado em saber a procedência do produto. Diante do ponto equipado para possibilitar todas as fases do processo de branqueamento – como é chamado o procedimento recomendado para a eliminação do parasita causador da doença-, ela confirma a confiança no local escolhido. “Há mais de 20 anos, eu só compro açaí aqui. Nunca tive problemas”, disse. “Eu evito comprar em outro lugar. Sem açaí, não dá pra ficar. Então, compro aqui, porque sei que é bom e saudável”.

Garantindo o cumprimento do procedimento recomendado, o batedor de açaí Vitor Moraes lembra que fez um curso específico para aprender a maneira correta de preparar o fruto para a extração da polpa e, assim, evitar os riscos de contaminação de doenças por meio da ingestão de açaí. “São três fases para poder fazer o branqueamento. Os clientes veem que aqui a gente faz tudo isso certinho”, declarou o proprietário de um ponto localizado também no bairro da Cidade Velha. “Eu fiz um curso sobre tudo isso na Vigilância Sanitária”.

 

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