QUATRO COLIGAÇÕES, MAIS UMA ELEIÇÃO

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Prof. José Pinto

Com a definição dos candidatos à Eleição Suplementar 2015 em Igarapé-Miri, quatro candidatos se habilitaram a chegar ao Palácio Senador Garcia, após a cassação definitiva do ex-prefeito Ailson Santa Maria do Amaral, o Pé de Boto.

O primeiro que deu o pontapé inicial foi o ex-prefeito Roberto Pina, que segundo boatos, seria o favorito numa pesquisa que andaram fazendo por aí. Depois de muitas reuniões entre PT, PV, PROS e PC do B, saiu a formação da chapa, trazendo como vice a vereadora Carmozinha, que era a atual Presidenta da Câmara Municipal. Pina veio candidato a prefeito trazendo na bagagem a experiência acumulada em 4 anos quando esteve à frente da Prefeitura (2009-2012) e ter realizado a melhor administração dos últimos anos, conseguindo emplacar a marca de um grande realizador, com o pagamento de salários atrasados, negociações de dívidas previdenciárias (INSS, IGPREV, IASEP), responsabilidade fiscal (CAUC e prestações de contas), bem como de inúmeras obras (orla, creches, quadras de esportes, asfaltamento, prédios administrativos próprios, postos de saúde, etc.). A despeito de todas essas realizações, Pina não foi reeleito na Eleição Municipal de 2012. Carmozinha conseguiu ser escolhida candidata a vice-prefeita por estar no quinto mandato de vereadora, ter uma vida dedicada ao interior do município em especial nas Colônias de Pescadores. Ela se firmou como oposição ao governo Pé de Boto e acabou assumindo a Presidência da Câmara Municipal. No discurso de Pina na convenção, notou-se que ele buscaria fazer uma campanha propositiva, visando comparar os mandatos anteriores e posteriores ao seu e com isso mostrar que teria condições de voltar ao cargo e tirar o município da situação caótica em que se encontrava.

O segundo foi o ex-vice-prefeito no segundo mandato de Mário Leão (2001-2004): Joca Pantoja, que empolgado com a expressiva votação para deputado estadual obtida nas últimas eleições, resolveu entrar na briga pela Prefeitura. É empresário e faz parte de uma família tradicional de Igarapé-Miri e buscou apoio do Pr. Adoniel das Chagas Sozinho, presidente da Assembleia de Deus na cidade. Foi de lá que trouxe como companheiro de chapa o empresário do ramo de açaí Antoniel Miranda. Joca já tentou também ser vereador, mas não conseguiu. Como vice-prefeito, não teve espaço no governo e conseguiu na época nada mais do que uma ínfima direção de escola, até que rompeu definitivamente com Mário. A coligação de apoio a Joca Pantoja foi formada pelos seguintes partidos: PPS, PDT, PSC, PEN e PT do B.

O terceiro na verdade era uma candidata: tratava-se de Darlene Pantoja, irmã da ex-prefeita Dilza Pantoja, que governou o município de 2005 a 2008, e foi responsável por uma gestão marcada por sérios problemas administrativos: greve dos professores, não pagamento dos salários do funcionalismo no final de seu mandato, dívidas exorbitantes, prédios públicos depredados e muito mais. Demorou muito para escolher o candidato a vice, mas finalmente bateu o martelo em favor da vereadora Dalva Amorim, fato que já se cogitava por aí. Era uma coligação composta pelo PSD, PTB e PSDB.

O quarto e último a definir sua candidatura foi o prefeito interino Toninho Peso Pesado que selou sua coligação com o candidato a vice Marcelo Corrêa. PMDB, PR e PSB se uniram para tentar manter no poder Peso Pesado. Em pouco tempo no cargo, pouco se viu sua atuação, dada talvez à situação em que encontrou o município mergulhado em um colapso administrativo sem precedentes. Após uma “briga” interna com o ex-vice-prefeito Francisco Pantoja, venceu a queda de braço e acabou se lançando candidato a prefeito na tentativa de permanecer no cargo de mandatário do município e assim quem sabe mostrar o que veio fazer.

Pelo menos um ponto positivo essa eleição teve, apesar de ter sido inédita e atípica para Igarapé-Miri: ao contrário da última eleição que foi polarizada, uma vez que havia apenas dois candidatos; essa teve quatro. Ou seja: isso fortalece o processo democrático, pela razão de que há mais opções e não apenas dois candidatos. O meu desejo seria de que vencesse  o mais preparado, o mais experiente, o mais competente, a fim de que com o seu esforço e dedicação possa tirar o município desse caos que se instalou nesses últimos anos. Não seria possível que o povo ficasse novamente “mundiado” por um canto que aparentemente parece ser suave, mas que no fim não passa de uma melodia cafona e desentoada. Será? Égua!

O encanto quebrou! Algo que parecia impossível para muitos, aconteceu: Roberto Pina Oliveira foi novamente reconduzido ao cargo de prefeito municipal de Igarapé-Miri, eleito com 11.784 votos. É verdade que ele não foi eleito pela maioria do eleitorado, mas pelo menos 35,82% deu demonstração de que preferia o retorno de Pina. Foi uma vitória apertada, com uma diferença de apenas 557 votos do segundo colocado. Como foi sempre ovacionado em seus comícios, carreatas e caminhadas: “O campeão voltou!”, Pina tem agora a árdua missão de reconstruir novamente o município que se encontra literalmente em pedaços. Bom trabalho prefeito! A vontade do povo prevaleceu.

*Prof. José Pinto é educador nas redes municipal e estadual de Igarapé-Miri

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