A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AINDA PODE NOS ENSINAR O QUE É HISTÓRIA

Hoje o Blog do Parsifal Pontes destaca de forma precisa e comovente o final da Segunda Guerra Mundial, certamente um dos fatos mais relevantes da História.

E a História Oficial dizem que sempre é contada pelos vencedores, nunca pelos vencidos. Seria a versão dos dominadores e não dos dominados.

E há muito a se escrever e contar sobre essa parte tão trágica da História da Humanidade.

Os ideiais de Hitler ainda persistem, nem sempre na mesma proporção, fruto da intolerância religiosa, étnica, social e da ganância.

Nesta semana as grandes potências comemoram a “vitória”. Cada um a seu modo. Com desfiles para mostrar o poderio bélico, como é o caso da Rússia. Lembrando seus mortos na Europa, em especial na França, Polônia e Inglaterra. E nos EUA lembrando além dos mortos, as bombas lançadas no Japão.

E os “derrotados” se desculpam ou choram pelos seus mortos e pelos imensos prejuízos que causaram ao seu próprio povo e a toda a a Humanidade.

O GM reproduz o texto de Parsifal aos leitores e certamente será bem acolhido, especialmente pelos estudantes, mas que deveria gerar debate nas escolas e buscar reflexões que possam mudar o mundo:

Há 70 anos, a Alemanha se rendia aos aliados, pondo fim a Segunda Guerra Mundial

GUERRA 01

Em 8 de maio de 1945, há 70 anos, o alto-comando alemão anunciou a rendição às forças aliadas, que havia sido assinado na véspera. Berlim ouviu o anúncio devastada por uma das mais dramáticas batalhas da Segunda Guerra Mundial.

A Batalha de Berlim foi uma concessão dos aliados à Joseph Stalin. Franklin Roosevelt e Winston Churchill aquiesceram que caberia a Stalin tomar Berlim. Havia questões táticas, mas era um incontido desejo de Stalin devolver a Hitler a traição deste ao Pacto Molotov-Ribbentrop, firmado em 1939, no qual Hitler garantia que não levaria a guerra à Rússia.

> O Exército Vermelho e seus marechais

GUERRA 02

Stalin jogou todo o temível e impiedoso Exército Vermelho na Batalha de Berlim e os seus principais marechais, Ivan Konev, Vassili Chuikov, Konstantin Rokossovsky e George Zhukov (que merece um capítulo jamais escrito entre os grandes guerreiros da história) fizeram o serviço.

A esses quatro exércitos Stalin entregou 2,6 milhões de homens, 6.250 blindados, 7.500 aviões e 46.100 peças de artilharia, que fizeram, rumo à Berlim, uma blitzkrieg reversa: desde o Báltico até os Cárpatos, varreram as posições alemãs com o mesmo vigor que Hitler invadiu a Europa no início da sua ofensiva, em 1939, começando pela Polônia.

> A vingança de Stalin

A pressa de Stalin tinha explicação na sua sede de vingança, pois embora os marechais aliados tivessem recebido ordens do Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa, o general norte-americano Dwight Eisenhower, para dar suporte aos soviéticos na ofensiva a Berlim, mas segurar as tropas na retaguarda do Rio Oder, onde os soviéticos se perfilariam para a ofensiva final, o empertigado general Patton, que comandou o Terceiro Exército Norte-Americano, após o desembarque na Normandia, ignorando as ordens, empreitou a sua própria blitzkrieg rumo à capital.

Patton só freou quando o próprio Eisenhower o interceptou que parasse, sob pena de Corte Marcial.

Foi o que valeu Stalin, ou Patton entraria em Berlim primeiro que ele, depois de, com um exército de 250 mil homens, ter tomado quase um terço do território alemão, impondo baixa ao Führer de 20 mil soldados, 47,7 mil feridos e 653,140 capturados.

> Os generais alemães

É injusto não mencionar, quando se fala da Batalha de Berlim, os nomes dos valorosos generais alemães que, em uma guerra já perdida, defenderam a capital até o último projétil lhes partir dos fuzis.

GUERRA 03

Gotthard Heinrici, Helmuth Weidling, Helmuth Reymann e Wilhelm Mohnke resistiram aos soviéticos com 900 mil soldados, 1,5 mil blindados (os blindados alemães eram terríveis) e 3,3 mil aviões: um número muito menor que a ofensiva e infinitamente menos provido, mas de uma bravura singular.

> A ofensiva russa

O cerco a Berlim começou em fevereiro de 1945, quando o Segundo Front Bielorusso, ao comando do Marechal Rokossovski tomou a Prússia Ocidental e forçou um dos mais temidos generais nazistas, Heinrich Himmler, a recuar: era o movimento de pinça do Exército Vermelho que começava a fechar o cerco.

A outra tenaz da pinça se fechava com o Primeiro Front Bielorusso, ao comando do Marechal Konev, que isolou o Segundo e o Terceiro Exército Panzer alemão e cortou-lhe em três, impedindo que se comunicassem. Quando uma pinça é bem sucedida, reagrupar os exércitos decepados é algo terrivelmente improvável, sendo o recuo o movimento mais prudente. Mas os alemães só tinham um local para onde recuar: Berlim.

GUERRA 04

Ao Marechal Zhukov coube avançar Alemanha adentro e guardar os vales e as bordas do Rio Oder, que uma vez atravessado era uma questão de dias tomar a cidade.

Zhukov comeu o pão que o diabo amassou para resistir às posições alemãs que lhe bombardeavam incansavelmente desde as Colinas de Seelow, onde as forças de um dos mais capazes táticos do Führer, o General Gotthard Heinrici, estabeleceu suas últimas defesas.

> A Vistula-Oder

As bordas do Oder se transformaram nas portas do inferno. Foi a famosa Ofensiva Vistula–Oder, que durou de 12 de janeiro a 2 de fevereiro de 1945, quando o Exército Vermelho, comandado por Konev e Zhukov, sob as colunas de fogo cerrado dos Panzer, atravessaram a linha polonesa do Rio Vístula e do Oder, encurralando Heinrici nas colinas de Seelow.

GUERRA 05

Nessa escaramuça, pouco lembrada é a bravura indômita do Terceiro Exército Panzer, ao comando do General Hasso von Manteuffel, que com um exército aos frangalhos, com 10% da tropa soviética, segurou por quase um mês a força bruta arremetida pela Primeira Frente Bielorrussa.

Com o sucesso da Vistula-Oder, na madrugada de 16 de abril de 1945, Stalin determinou a ofensiva final sobre Berlim.

> O Último selo

GUERRA 06

Os quatro marechais russos, das suas respectivas posições, deram ordem de ataque e o Sétimo Selo do Apocalipse se abriu, com todas as trombetas direcionadas a Berlim. Contam as crônicas da Batalha de Berlim, que os primeiros bombardeios, mesmo as 60 km da cidade, se fizeram sentir nela.

Em 19 de abril, as colinas de Seelow foram rompidas e Heinrici recuou para Berlim, onde os demais exércitos já estavam posicionados para a mais sangrenta batalha urbana jamais vista. Hitler determinou que os generais não cedessem “um palmo sem luta”, ou seja, tinham que morrer lutando.

Em 20 de abril, aniversário de Hitler, o Primeiro Front Bielo-Russo começou efetivamente a abater Berlim, não deixando pedra sobre pedra.

Os blindados russos, em poderosas pinças, pelo leste e pelo sul, avançaram ferozmente sobre a cidade, cortando tudo que lhes enfrentava as lâminas. A infantaria russa, com a moral alta, enfiava as baionetas em qualquer ventre que a desafiasse. Qualquer prédio de onde partisse um tiro era demolido.

> Os estupros e os saques

Como a história da Segunda Guerra é contada, como sempre, pelos vitoriosos, o lado sombrio da vitória é omitido. A própria Alemanha, que ainda tem dificuldades de tratar da Segunda Guerra, pouco se refere às milhares de mulheres berlinenses que foram estupradas pela horda sedenta por sexo dos soldados russos e dos saques que foram feitos, aos cântaros, aos museus e às residências civis.

> A rendição

guerra 07

Em 30 de abril, Hitler, vendo que a batalha estava perdida e Berlim destroçada, suicidou-se. Em 1 de maio, Joseph Goebbels, que por um dia foi o Chanceler da Alemanha, também cometeu suicídio, após matar toda a família.

Coube ao almirante Karl Dönitz, que se tornou o Reichspräsident (presidente), negociar a rendição incondicional da Alemanha, que se deu em 8 de maio de 1945.

O saldo da batalha de Berlim foi de 450 mil soldados e 81 mil civis alemães mortos. Dentre os civis, mais de 5 mil mulheres foram mortas por estupro coletivo: era a vingança pelo que os alemães fizeram em Stalingrado.

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As baixas soviéticas foram de 20 a 25 mil soldados.

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