IGARAPÉ-MIRI E SEUS ESCROFULOSOS. A POLÍTICA DOS GOVERNANTES SANTOS, A EXEMPLO DOS REIS DA FRANÇA.

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O Professor Santiago envia mais um texto analisando História e Política. É mais um artigo interessante e agradecemos mais esta colaboração:

IGARAPÉ-MIRI E SEUS ESCROFULOSOS

A POLÍTICA DOS GOVERNANTES SANTOS, A EXEMPLO DOS REIS DA FRANÇA.

Durante o reinado de Luís VI, o Gordo, no século XII, que um documento relata pela primeira vez a cerimônia do toque das escrófulas, ou alporcas. Essa prática, baseada na atribuição ao rei cristão de um poder de cura, perpetua-se até a sagração de Carlos X, em 1824.

Geralmente os gânglios também chamados de escrófulas ou alporcas, designavam na linguagem medieval uma afecção conhecida hoje, com o nome de adenite tuberculosa. É a inflamação dos gânglios que incham e supuram de forma horrível, e esta é conhecida como o sinal externo de uma tuberculose genital. No século XVII, o toque das escrófulas se tornou um dos rituais mais solenes da monarquia francesa. Era uma festa realizada unicamente durante grandes festas cristãs, como:Páscoa, Pentecostes e principalmente no Natal e era anunciada por pregoeiros, por meio de cartazes, etc. Na maioria das vezes essas cerimonias aconteciam na Grande Galeria do Louvre. Ali os doentes apareciam em multidões e os estrangeiros se juntando aos franceses, ao ponto que a Casa de França podia explorar o milagre real para demonstrar a superioridade sobre as dinastias europeias rivais. “No pentecostes de 1715, pouco tempos antes de seu falecimento, Luís XIV ainda tocou 1.700 escrofulosos, provando assim que, independentemente do estado de saúde, o rei rinha obrigações para com a saúde de seus súditos, não podendo se furtar a elas.” (Fragmento extraído da Revista Enigmas da Humanidade, p.259).

Pensando um pouco em relação a política de cura promovida pelos reis da França no século XII, ela não difere muito da dos políticos de Igarapé-Miri do século XXI. Assim como na época não havia prevenção contra as escrófulas ou alporcas (inflamação dos gânglios),a tal ajuda para a cura dos males da pobreza e da falta de educação (que são os gânglios da sociedade local), ganha um toque dos políticos locais,assim como naquele tempo os reis tocavam com as suas mãos as regiões doloridas dos doentes. Tanto lá como cá, o político não podia se furtar a cuidar da doença de seus súditos, no século XII, o toque das mãos dos reis cristãos da França era o antidoto ou o balsamo para a cura de um povo ignorante, na maioria camponeses, em nossos dias a doação de rabudos, cestas básicas (de R$ 50,00), cirurgias, machado, terçado, enxadas, fornos de farinha e dinheiro em espécie representa o toque da mão dos políticos abençoados na cura de ribeirinhos ignorantes e aproveitadores espertos da cidade em busca de melhorar a vida.

Esses grandes toques de cura se dá não mais na Grande Galeria do Louvre, mas nas ações de saúde, mutirões sociais e nos comitês eleitorais. Mas, a exemplo da época dos reis franceses, onde o racionalismo das luzes afastou a elite da visão religiosa, hoje as leis eleitorais estão mais duras e de vez em quando vão conseguindo afastar esses maus políticos das suas atividades perniciosas do populismo e do assistencialismo desenfreado. Do mesmo modo que as elites se distanciaram dessas práticas tradicionais as classes populares continuaram venerando o rei taumaturgo, do mesmo jeito as classes que são hoje chamadas de críticas por terem adquirido conhecimento se afastam de políticos oportunistas, assistencialistas e corruptos, as classes menos esclarecidas continuam venerando os políticos do toque de cura realizado pelo assistencialismo. “Voltaire escreveu com insolência que Luís XIV não fora capaz de curar as escrófulas de uma de suas amantes, muito embora ele a tivesse ‘tocado muito bem’” (Ibidem).

As coisas mudaram e a ordem se inverteu em vez de o toque do rei ser por sua condição divina agora ele passou a ser um enviado de Deus, ou seja, só fazia pedir pelo enfermo, mas a cura vinha de Deus realmente e não mais do toque do rei. Da mesma forma agora acontece, pois o político não pode dar nada a ninguém, o que ele faz é apenas aliviar a dor do miserável, sendo o mérito exclusivo da sua compaixão humanitária e não dele como político com isso enganando e prendendo o outro sob a obrigação da dádiva. Mesmo estando sendo vigiado pela lei, os políticos sempre dão um jeito de burla-la e continuar mentindo e enganando o coitado do povo ignorante, antes os reis eram considerados divinos e de possuírem poderes de cura para os males da saúde de seus súditos, hoje ainda há aqueles que acreditam que os políticos têm a unção de Deus para resolver os seus problemas sociais e ficam esperando que o milagre aconteça, porém o que é concedido durante a campanha lhes é retirado depois da eleição ou pelo político mentiroso ou pela lei que veta a entrada no serviço público de quem não é concursado. E o que se vê aos quatro ventos são essas promessas de ajuda depois de eleitos ou o emprego sendo dado agora sem a certeza de que vai receber seus salários.

Os tempos mudam, as pessoas mudam, a tecnologia muda, mas os políticos continuam os mesmos. Seja no século XII ou no século XXI, tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Estão as portas as eleições suplementares. Portanto, pense muito como você vai votar no dia 17 de maio.

J. Santiago.

Graduado em Bacharel de Teologia pelo INTA

Instituto Superior de Teologia Aplicada.  Ce.

Cursando de Letras/Espanhol pela UFPa.

 

 

 

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