HOMENAGEM DO BACANA A ALACI CORREA

ALACI NO BACANA

Hoje a família do saudoso Alaci Corrêa convida os amigos para a missa de sétimo dia de falecimento, as 20 hs na Basílica de Nazaré.

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E entre tantas homenagens prestadas identificados uma de Marcelo Marques, mais conhecido como BACANA, em seu blog.

Marcelo é até suspeito para falar já que era amigo de Alaci Corrêa, mas a entrevista dele traça aspectos interessantes não somente da personalidade do Fundador do Nazaré, mas também do modo como ele via Igarapé-Miri e levava o nome da Terra do Açaí para onde ia.

Existe até uma piada que se conta a muito tempo de que um dos “Correas” teria ordenado ao motorista para levar o carro na Nossa Terra. E ele teria ido a Igarapé-Miri, em vez de levar o carro para a antiga concessionária de automóveis de Belém para uma simples revisão.

Um outro gesto simples do amor pela Terra do Açaí, que é destacado pelos mais observadores, é ver que à frente das lojas do Líder, Nazaré ou do Shopping Castanheira está hasteada a bandeira de Igarapé-Miri, ao lado da bandeira do Brasil, do Pará e do Líder ou Nazaré.

Se essas lojas levam nossa bandeira, certamente que não é somente uma jogada de marketing…

Outro fato interessante foi a postura de Alaci Corrêa nas últimas eleições municipais quando compareceu num evento da campanha eleitoral de Roberto Pina em Belém (eleições 2012). Nesse evento no Palácio dos Bares, ele disse que estava ali para apoiar por ter recebido uma ligação empresário que era seu amigo, dizendo estava concluindo asfaltamento de Igarapé-Miri em 2010. Ele estava triste de ver a enorme buraqueira em que se encontrava o município nas visitas que tinha feito antes de 2009.

Na mesma hora pegou um carro e foi ver o serviço. Viu os avanços que estavam sendo feitos naquela gestão. Entendeu apoiar a candidatura à reeleição não por qualquer amizade com o candidato ou com o partido, mas por ter visto a cidade mais bonita e melhorando sua organização, depois de tanto tempo de descaso.

Ele queria ver uma Igarapé-Miri limpa e bem cuidada. E certamente que todo bom Miriense também quer, independente de quem seja o governante.

Vejam a matéria do Blog do Bacana no dia 22 de março e uma das entrevistas com Alaci Corrêa:

VOCÊ É O MELHOR

Essa frase Alaci Correa me disse algumas vezes.
Toda vez que me via abatido.
Olhava pra mim e com aquele sotaque de Igarapé francês me soltava essa.
Ele gostava de mim, demonstrou isso desde quando nos conhecemos e a frase certamente era para me animar.
Assistia todos os dias meu programa, às vezes pegava o fone e me ligava para elogiar ou chamar minha atenção.
Lia todas as  minhas colunas,  e fazia o mesmo .
Alaci era uma espécie de diretor do Bacana, informal.
Uma figura que jamais me abandonou , sempre me incentivou e foi um amigo verdadeiro .
Hoje chorei ao saber da sua morte . Porque a gente chora apenas por aqueles que gostamos.
Mas pensando na frase que ele dizia pra mim , “você é o melhor”, vejo que na verdade ela não é minha, mas sim dele.
Ele era o melhor .
Foi ele que com um primo , o tio e o pai saíram pelos rios desse estado vendendo produtos para ribeirinhos , em viagens enormes e cansativas.
Foram eles que arriscaram , caboclos do interior , a virem a capital e iniciarem um negócio pequeno mas que se tornou grande, porque sempre pensaram grande .
Alaci passou por dificuldades , foi por vezes hostilizado pelos quatrocentões de Belém, somente por ser do interior .
Mas Alaci veio , ajudou a família Rodrigues a fundar o Líder e depois foi com seus irmãos e fundou o Nazaré.
Os dois grupos poderiam ser apenas mais  um negócio .
Mas que nada , estava no DNA de Alaci fazer o melhor .
E como ele era incansável , obcecado por isso.
“- A gente não pode se contentar com o bom, tem de buscar a excelência “. Essa era outra de suas frases que me dizia.
Alaci era um forte, porque somente um forte vem de onde ele veio e chega onde ele chegou .
Alaci era um guerreiro que viu seu empreendimento por várias vezes pegar fogo e reconstruiu tudo de novo das cinzas .
Alaci era de uma velocidade de raciocínio impressionante, eu brincava com ele que o açaí do Igarapé Miri tinha algo diferente do daqui .
Ele ria . E como ríamos juntos , o velho Alaci tinha um humor …..
Conseguiu criar o Nazaré, ajudou na criação do Líder , foi um marido presente e apaixonado por sua Neuza, era um pai didático e afetuoso , um avô carinhoso , um patrão generoso e um empresário como poucos se viu por essas bandas .
Podem apostar, ninguém dava um nó no velho Alaci!!!
Um amigo que não se acha em qualquer esquina.
Quando você entrar no Nazaré , olhe e veja Alaci ali.
Ele está nos detalhes , na colocação e arrumação dos produtos a arquitetura das lojas .
No comercial de TV a disposição das cestas de pães .
Na limpeza dos corredores a organização do estoque .
Como amava o Nazaré. Tudo tinha seu dedo, seu toque, sua influência, seu cuidado.
Passear com ele por uma loja era uma lição de liderança.
Nada escapava ao seu olhar, tudo ele corrigia, sempre  de forma respeitosa junto aos empregados, mas objetiva.
Alaci era assim, intenso e objetivo.
Sabia o que queria, não tinha tempo a perder e era de uma vitalidade que me motivava.
Depois que ficou doente foi para São Paulo se tratar e nos falávamos com frequência ao telefone.
A última dele pra mim foi essa; – Meu filho descobre ai como localizo a emissora na parabólica aqui em São Paulo porque pelo menos te assistindo eu mato um pouco da saudade de Belém , que ficar aqui sem noticias  tá me matando.”
A distância dos amigos , dos negócios , da família foi tão difícil para Alaci como o tratamento .
Preocupado com esses momentos que ele tinha de ficar parado em São Paulo – porque a vitalidade dele era tanta que todos que conheciam Alaci sabiam que uma das dificuldades era ele estar longe de Belém  – uma vez eu liguei pra ele e disse que tinha descoberto um professor de inglês e de espanhol perto do seu apartamento e que ele devia fazer umas aulas para aprender , passar o tempo.
Alaci me perguntou na lata ; “ – Mas pra quê meu filho ? Não estou pensando “ainda” em abrir um Nazaré nos Estados Unidos .”
Pensa que ele brincava? Que nada, se tivesse tempo era bem capaz de ir pra lá e abrir uma loja e mostrar para os gringos como se faz um supermercado de verdade.
Mas ele era um apaixonado pelo Pará.
Aqui era sua terra , aqui ele se fez e se mostrou grande .
Foi exemplo.
Será sempre o melhor entre todos tão bons.
E fará uma falta muito grande para aqueles que puderam conviver com ele.
Descanse em paz amigo e obrigado.

Hoje você lê aqui a ultima entrevista que ele me deu e às 20 horas na RBATV nesse domingo tem uma reprise da ultima gravação de Alaci no Programa Bacana, contanto sua história de vida, cheio de bom humor. Assistam que é imperdível.

Marcelo  Marques: Hoje o Nazaré tem quantas lojas? Como nasceu o Nazaré?

Alaci Correa:   Seis lojas. Começou como toda empresa familiar no Brasil com uma semente, através do meu pai. E crescemos, hoje estamos na quarta geração e meu  sonho e ver minha quarta geração está toda trabalhando no grupo. Meus filhos todos se formaram  em áreas diversas e todos trabalham em nossa  empresa. Meu pai me tirou da escola para ajudá-lo em nossos negócios e hoje eu me orgulho de meus filhos todos terem estudado, se formado e  trabalharem comigo.

M.M: Você fala já de uma loja do Nazaré ou da venda que acontecia nos navios, no rio?

A.C: Eu tô falando daquela semente que começamos a semear, vendíamos no barco, meu pai viajava muito, fazia troca, vendia mantimentos. E eu comecei a visualizar como meu pai trabalhava.  Nós viajávamos para lugares diferentes,  enquanto ele saia para o Guamá, Capim, eu fazia o Baixo amazonas. Eu fui a passeio, mas fui absorver  conhecimento em vendas e meu pai me via pequeno, não só idade, como em tamanho, eu tinha  18 anos e meu pai disse, vou arrumar um sócio para você. Este sócio, o Osmar, trouxe duas sementes o Líder e o Nazaré.

M.M:   A partir de quando você veio para Belém?

A.C:  Chegamos em 73 aqui em Belém no auge da construção da Hidrelétrica de Tucuruí. Foi uma necessidade, nosso negócio cresceu no interior, fazíamos regatão e a mercadoria era comprada em Belém e vimos que se comprássemos diretamente a mercadoria seria mais lucrativo. Como já tínhamos potencial e capital para comprar a mercadoria direto, nós optamos por esta nova estratégia. Começamos a importar do Sul. A estrada Belém Brasília não existia, nós tínhamos a cabotagem, não existia container e havia derrame e não havia  seguro de mercadorias nesta época, então, nós sentimos a necessidade de montar escritório em Belém para evitar esta perda. Com um escritório montado  aqui vimos a necessidade de expandir os negócios para a cidade, vendíamos para os regatões no interior e também em Belém, a partir de então.

M.M: Então o primeiro ponto de venda aberto em Belém foi quando? Já era Nazaré?

A.C:  Foi em 74. Não, Era Armazéns  Correa Ltda. Que começou como  Arcelino Correa e Cia . Meu pai e mais três filhos que  logo após deu origem  ao Nazaré, onde nossa primeira firma foi no Porto do Sal. Em 10 de Setembro de  76 foi fundado como Nazaré,  que se chamou assim, por que foi nossa primeira loja na 14 de Março com a Governador José Malcher no bairro de Nazaré, junto a basílica que tem um nome muito forte para nós e nos levou a homenagear a santa e nos pegar mais ainda com ela.

M.M: Hoje o grupo tem seis lojas e conta com quantos funcionários?

A.C:  2500 funcionários e quando estamos construindo mais algum espaço chegamos a 3000 funcionários. Agora mudamos nosso centro de distribuição para a Augusto Montenegro e estamos fazendo  um novo empreendimento ali perto da feira da Bandeira Branca  chamado Atacarejo.  É um mercado muito bom para quem vem do interior.

M.M: E os outros dois projetos?

A.C: A expansão da 14 de Março para José Malcher  para transformar um Super Center que deu certo em Belém e a expansão vertical da nossa primeira loja.

M.M: O que é necessário para vencer na vida?

A.C:   Nós temos três coisas. Primeiro, trabalho, segundo, trabalho e terceira trabalho, não tem outro caminho. Ter seriedade é importante,  você tem que respeitar o público e ser  uma empresa séria.

M.M: Você nunca chegou em um momento de crise em pensar em desistir?

A.C: Não! De maneira nenhuma, o mais importante  que o ser humano tem que ter é persistência.

M.M:  Vocês devem ter enfrentados dificuldades nessa trajetória e como  lidar com elas?

A.C:  É muito difícil chegar do interior e competir com grandes lojas como na época Pão de Açúcar que depois se tornou Bom Preço e se manter e conseguir colocar eles pra correr e se orgulhar de ser paraense e ter uma empresa daqui mesmo. Quando chegamos em Belém fizemos questão de fazer um loja bonita, com conforto e qualidade, não tinha aqui  algo assim.

M.M: Pra gente finalizar, esse decreto 12721 que obriga os empresários a colocar nas notas fiscais todos os impostos, tá dando certo isso?

A.C:  Veja bem a intenção é nobre, nós como consumidores, precisamos saber sobre a carga tributária e pra onde nosso dinheiro está indo. A população  precisa conhecer isso, porém a carga tributária  nacional é muito  complexa, porque  gastamos aproximadamente 10% só de estrutura para recolher o imposto, não é simplificado.  Aí depois vem uma coisa chamada guerra fiscal que consegue fazer com que cada estado nesta briga  não coloque um imposto uniforme para todo o Brasil.  Nós não somos formadores de preço e sim repassamos um preço para o consumidor final.  Acho que esta iniciativa seja excelente para a população.

M.M: Suas considerações seu Alaci.

A.C: Ficamos muito feliz por ser uma empresa paraense e com o apoio da população e o que nos ganhamos investimos aqui, procuramos reinvestir aqui mesmo e isso faz com que nós crescemos, ganhando a confiança e o carinho  da população do nosso estado, fazendo com que nós tenhamos mais garra para atender este estado que nós gostamos tanto.

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