CAOS NA SAÚDE: AONDE IREMOS CHEGAR ?

Prof. José Pinto

Sou pai de um único filho, que é portador de necessidades especiais (PNE), pois quando bebê contraiu meningite. E como se diz que essa doença quando não mata, aleija. Ele graças a Deus sobreviveu; porém, ficou com sequelas e precisa tomar remédio controlado, o famoso Gardenal. O problema é que há quase um ano o referido remédio está em falta no CAPS Vitória-régia, órgão da Secretaria Municipal de Saúde que distribui para os pacientes. Sendo assim, não me resta outra alternativa, a não ser comprar o tal medicamento.

Meu filho é um rapaz normal, não fossem as constantes crises de epilepsia que lhe é acometido em decorrência dos problemas de saúde desde a sua infância.

Pois bem, meus amigos, quando me deparo com a folha onerosa da Secretaria Municipal de Saúde de Igarapé-Miri, conforme matéria da Gazeta Miriense, causa-me uma profunda revolta. O meu filho não tem nada a ver com esses desmandos administrativos que se instalou no município nesses últimos dois anos. Logo, não é justo que ele tenha de ficar sem o seu remédio, quando milhões vão para o ralo. Aonde iremos chegar?

É inconcebível que um profissional da saúde de Igarapé-Miri ganhe nada menos do que R$ 43.220,52 na função de Médico Cirurgião; enquanto o meu filho não tem o seu remédio controlado, o qual é um direito inalienável como bom cidadão que é!

Não dá para aceitar ver outro profissional que atua na função de Médico Clínico Geral com salários de R$ 20.998,29 por mês, e ao mesmo tempo ver o direito do meu único filho ser tolhido! E o que dizer do outro médico que recebe mais de 14 mil reais? É muito dinheiro nas mãos de poucos, não é mesmo? Um pouco dessa dinheirama toda daria para comprar remédio para que o CAPS voltasse a atender seus pacientes e assim garantir o direito de quem precisa. Não é verdade?

A propósito, analisando um panfleto da época da campanha municipal de 2012 do Programa de Governo do atual gestor, pude elencar os seguintes itens na área da saúde:

  • Médico 24h no Hospital Sant’Ana;
  • Reativação do Projeto “Comando Médico” na zona rural;
  • Ampliação, adequação e humanização do Flor do Miriti;
  • Criará o Programa da “Melhor Idade”, valorizando e respeitando os idosos;
  • Fará adequação, ampliação e o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde;
  • Implantará o Programa “Saúde da Mulher” em diversas especialidades;
  • Ativação do Barco da Saúde para atender as comunidades ribeirinhas;
  • Atenção e respeito aos Portadores de Necessidades Especiais que foram esquecidos durante estes 4 anos e parceria para a reativação da APAE Igarapé-Miri.

Como vocês podem ver, os itens acima dispensam comentários. Até porque foram promessas não cumpridas. Mas o que dizer do último item que previa Atenção e respeito aos Portadores de Necessidades Especiais que foram esquecidos durante estes 4 anos?

Pobres Portadores de Necessidades Especiais! Mais abandono do que esses 2 últimos anos é impossível!

É o que o afamado escritor brasileiro Monteiro Lobato dizia: “Falar é fácil; fazer é que são elas.”

Por fim, hão de concordar comigo que esse país é injusto mesmo: o meu filho nunca recebeu um único salário de benefício por ser portador de necessidades especiais, porque até esse direito lhe fora negado!

Será que um dia a justiça e a paz se abraçarão, conforme diz na Bíblia? Creio nessa promessa.

Enquanto isso, só me resta essa tamanha indignação por tanta injustiça sendo praticada descaradamente neste município tão carente, e que precisa de tanto cuidado na área da saúde! Até quando Senhor o mal prevalecerá? Até quando Senhor?

Prof. José Pinto é educador nas redes municipal e estadual de Igarapé-Miri.

 

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