IGARAPÉ-MIRI E OS RASTROS DA VIOLÊNCIA

IGARAPÉ-MIRI E OS RASTROS DA VIOLÊNCIA

 José Moraes Quaresma

Este texto pretende fazer uma analogia, entre a violência ocorrida no Município de Igarapé-Miri, as guerras na Faixa de Gaza e outros lugares, e as favelas do Rio de Janeiro.

Que os números da violência aumentaram no Brasil, e talvez no mundo inteiro, não temos dúvida afinal de contas, vemos pela televisão, jornais, e mesmo “nos quintais” de nossas casas, no entanto, esta constatação, não nos subtrai o direito, de exigirmos respostas, das autoridades públicas responsáveis, pela garantia do direito estampado no art. 5º de nossa Carta Magna.

Quando pensei em fazer a comparação, mencionada acima, preocupei-me se o texto não ocorreria o risco, de ser apelativo demais, ganhar ares de sensacionalismo, ou mesmo de uma comparação mal fundamentada, acredito, que respeitadas as proporcionalidades e as devidas diferenças, temos algo em comum.

Ultimamente circulou pelas redes sociais, a imagem de uma mãe morta, e mesmo assim uma criança mamava em seus seios, imagino que todas as pessoas que viram (e os que não viram, podem ver neste link http://domomb.blogspot.com.br/2013/04/crianca-mama-em-mae-morta.html) comoveram-se ao ver, porém, a pouco tempo atrás (não sei exatamente a data) uma senhora, conhecida como Babá, foi assassinada, por uma bala perdida, no Bairro da Boa Esperança, deixando seus filhos, sendo que tais crianças, moravam com elas, isto é, sem a presença do pai, então me pergunto, o que diferencia as duas situações, pois as duas mães eram responsáveis, pela sobrevivência dos filhos.

Continuando nesta mesma linha analógica, também, nos comove as imagens, de crianças que são vitimadas, em meios as guerras mundo a fora, e ao mesmo tempo, lembramos, de uma família, que a poucos dias sepultava, uma criança, vítima da violência, ou da “guerra civil” pelo qual nosso município está imerso.

Nas favelas do Rio de Janeiro que são (ou eram) dominadas pelo tráfico, sempre foi comum o “toque de recolher”, ou seja, os cidadãos tinham seu direito de ir e vir, de segurança e à vida, violentados, mas tratando de Igarapé-Miri, a Polícia ou o tráfico, até, onde sei, não determinou em nenhum momento, um “toque de recolher”, embora sempre existam ameaças, de que a galera do bairro “A” vai invadir o bairro “B”, e azar daqueles que estiverem nas ruas ou em frente as casas, a insegurança, colocou no interior de cada cidadão um “toque de recolher”, e escutamos então: “Deixa eu ir embora, está ficando tarde”, ”Eu ia sair, mas a cidade estava muito sinistra, preferi ficar em casa” ”Eu que não vou sair esse horário de casa”.

Portanto, quando olhamos por este prisma percebemos que há aqui, semelhanças bem mais do que imaginamos, e a guerra avança, sem que nada, neste momento, possa freá-la.

(José Moraes Quaresma, é Pedagogo concursado nas Redes Municipal de Igarapé-Miri e Estadual de Educação, atualmente cursa bacharelado em Administração Pública, pela Universidade Federal do Pará)

por uma igarape-miri melhor

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